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Fotos das atividades do IZB


By Erik Rasmussen

Fotos Históricas de Zequinha Barreto e Carlos Lamarca

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A atualidade de Antonio Gramsci.

O Instituto Zequinha Barreto através da sua secretaria de formação realizou no dia 06 de março de 2010 no auditório do Sindicato dos Químicos Unificados – Regional Osasco o curso sobre “A Atualidade de Antonio Gramsci” com o Profº EDSON MIAGUSKO e Doutor em Sociologia formado pela Universidade de São Paulo (USP).

Miagusko fez a apresentação sobre os temas:

O contexto das idéias de Gramsci

A noção de hegemonia

Idéias de Gramsci e o Brasil

Teve uma participação muito boa entre os participantes havia estudantes de história, trabalhadores e sindicalistas que estavam no curso para poder entender mais sobre “Antonio Gramsci e assim que acabou ficou definido entre os participantes e o professor que iremos dar continuidade no curso e aprofundar sobre os temas que ficaram pendentes devido à hora como, por exemplo,”.

Sociedade Civil e Sociedade Política

Bloco Histórico entre outros

Veja algumas fotos do curso:

 

Em breve estaremos atualizando essa matéria com mais fotos e vídeo e uma entrevista com o Profº EDSON MIAGUSKO.

Para saber mais sobre os cursos de formação do Instituto Zequinha Barreto

e-mail; socialismoedemocracia@gmail.com

e-mail: pedrinagsilva@yahoo.com.br

Telefone 3695-0661 – Falar com Pedrina

lançamento da Campanha Contra a Anistia aos Torturadores.

 Os crimes praticados durante a ditadura são crimes contra a humanidade e nesta medida não podem ser anistiados.

Em breve o Procurador Geral da República apresentará parecer sobre a matéria na ação  (ADPF nº 153) que tramita no Supremo Tribunal Federal, que em sua decisão estabelecerá um novo marco de democracia para o país.

Pela importância desta decisão, o Comitê  Contra a Anistia aos Torturadores, estabeleceu, num primeiro momento,  que faremos uma “petição on line”.

 

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Precisamos  a maior adesão possível de pessoas ou entidades.

Precisamos que todos enviem mensagem  para todos os contatos possíveis e imagináveis, do Brasil e de fora, para :

a) informar da campanha ( o texto esta em português, inglês e espanhol)

b) pedir subscrição de pessoas e entidades

c) pedir para colocar o banner da campanha ( abaixo) em sites para a maior divulgação possível.

Basta acessar no link abaixo para aderir.

Saudações

Comite contra a anistia dos torturados

uma iniciativa da associaçao de juizes pela democracia.

http://www.ajd.org.br/anistia_port.php

Debate: Dia Internacional da Mulher

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Local:Câmara Municipal de Barueri

Alameda Wagih Salles Nemer, 200 – Centro Comercial – Barueri (ao lado do SENAI)

Dia: 12/03/2010 – Das 19:00 às 22:00hs

CONVIDADOS

Marta Suplicy (Ex. Ministra de Turismo) Maura Soares (Vereadora PT Jandira) Célia (Vereadora PT Pirapora), Maria Itamar (PT de Barueri) Dra. Maria Clara (OAB Barueri), Nilza Pereira de Almeida (Sindicato dos Químicos Unificados – Regional Osasco), Eliana (Sindicato dos Metalúrgicos) Adriana Biazoli e demais autoridades.

Soldados de Israel relatam ‘rotina de humilhação’ de palestinos

Guila Flint

botas_de_combate Uma ONG israelense divulgou pela primeira vez os depoimentos de mulheres que serviram como soldados de Israel sobre a realidade nos territórios ocupados, denunciando uma “rotina de humilhação” a que são submetidos os palestinos nessas regiões.

A organização Breaking the Silence (“Quebrando o Silêncio”, em tradução livre), formada por reservistas israelenses, publicou os depoimentos escritos e gravados de 96 mulheres que serviram em batalhões de combate na Cisjordânia.

De acordo com elas, a prática de abusos e a humilhação de civis palestinos pelas tropas israelenses é “rotineira” e as soldados, querendo demonstrar que são tão capazes quanto os soldados homens, também participam de atos que são definidos pelo Exército como “inusitados”.

As ex-soldados descrevem cenas de espancamentos gratuitos de civis palestinos em pontos de checagem, de humilhação arbitrária e até de mortes de civis e falsificação dos fatos para encobrir atos ilegais das tropas.

Dana Golan, diretora da ONG, afirmou que “a sociedade israelense não quer pensar em nossas namoradas, filhas e irmãs participando ativamente na ocupação, exatamente como os soldados (homens)”. “Queremos acreditar que as soldados não são tão agressivas e não sujam as mãos, porém os depoimentos das mulheres provam que as soldados são tão corruptas quanto os homens e não poderia ser diferente”, acrescentou.

Depoimentos

A organização colheu mais de 700 depoimentos de militares israelenses, homens e mulheres, que serviram nos territórios ocupados desde o inicio da Intifada, em 2000. “Os depoimentos demonstram que as violações dos direitos humanos nos territórios não são resultado de um comportamento excepcional de poucos, mas decorrem do próprio domínio de uma população civil”, afirma a Breaking the Silence.

Segundo o relatório da ONG, os casos de violação dos direitos humanos de civis palestinos são muitas vezes resultado do “simples tédio” dos soldados que servem em centenas de pontos de checagem na Cisjordânia. Em um dos depoimentos, uma ex-soldado descreve uma cena, em um dos pontos de checagem, em que uma oficial ensinou civis palestinos a cantarem o hino do batalhão e em seguida, os civis, inclusive idosos e crianças, foram obrigados a cantar e dançar o hino militar.

“Uma sociedade que envia seu Exército para cumprir missões deve saber o que se passa em seu quintal e deve ouvir as vozes de suas filhas e filhos, mesmo se as historias não são agradáveis”, afirma a Breaking the Silence.

Treinamento especial

O Exército israelense descartou o relatório da ONG, afirmando que trata-se de “depoimentos anônimos”. Os autores, entretanto, afirmam que não revelaram a identidade das testemunhas para não prejudicá-las.

De acordo com um porta-voz militar, “os depoimentos não têm especificação de tempo ou local e é impossível examinar sua credibilidade”. “No Exército de Israel existem vários órgãos cuja função é investigar suspeitas de atos contrários às ordens e é obrigação de todo soldado ou oficial se dirigir a esses órgãos, caso sinta que alguma atividade foi cometida de maneira contrária às ordens”, disse o porta-voz.

“As tropas recebem um treinamento especial sobre o contato com a população palestina e as soldados recebem o mesmo treinamento que os soldados (homens)”, afirmou.

BBC Brasil

Agroquímicos: os venenos continuam à nossa mesa

 

agrotoxicos

 Henrique Cortez

Já discuti este tema antes, mas, diante do continuado crime de nosso envenenamento alimentar, acho necessário retomar a discussão e atualizar as informações e referências.

A agricultura "tradicional" se orgulha de produzir alimentos mais do que suficientes para alimentar o planeta e a indústria química se orgulha de ter desenvolvido os insumos utilizados para isto.

Devemos nos perguntar qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos. Quem arca com as conseqüências e quem realmente paga por isto?

Não pretendo discutir o manejo do solo, a sua utilização intensiva e extensiva, a ponto de o solo precisar de permanente aplicação de fertilizantes ou de que a produção animal seja um exemplo do horror da exploração desumana.

Prefiro falar do nosso longo e lento envenenamento diário. Prefiro discutir a comida que nos mata.

Há algum tempo assisti a um telejornal no qual um produtor de morangos, do interior de São Paulo, declarou (devidamente protegido pelo anonimato) que não consumia o morango que produzia por causa dos agrotóxicos. Deste dia em diante passei a estar mais atento ao veneno na minha mesa.

A maior parte dos vegetais e frutas não recebe inseticidas sistêmicos (que são absorvidos e fixam-se na seiva). Eles são mais usados em grãos e sementes, além de algumas culturas perenes. De fato, a nossa feira cotidiana pode e deve ser ‘desintoxicada’ com uma cuidadosa lavagem, mesmo os fungicidas do tomate, morango, figo, uva etc.

Assim, em tese, ficamos com a responsabilidade de ‘descontaminar’ os alimentos vegetais, lavando-os de forma cuidadosa e disciplinada, algo que poucos têm tempo de fazer.

Qual o risco que corremos com aquele ‘pouquinho’ que ficou, que ‘escapou’ da lavagem? Ninguém sabe, e a agricultura comercial, a indústria agroquímica, pouco se importa com isto.

Para colocar o tema em discussão, nem será preciso nada mais do que fazer um rápido e pequeno balanço do que já publicamos.

A intensa utilização de agrotóxicos na nossa agricultura foi claramente demonstrada no Censo Agropecuário 2006, confirmando que quase 80% de proprietários rurais usam agrotóxico

Uma pesquisa da Fiocruz, em Pernambuco, identificou a presença de parasitos em 96,6% das amostras de alface coletadas em supermercados e feiras livres da cidade. E isto nas alfaces cultivadas pelo método tradicional, o orgânico e hidropônico

No Japão, em setembro/2009, o arroz importado da China contaminado com pesticida e fungo levou ministro da Agricultura a renunciar. Neste lamentável caso de ganância irresponsável (mais uma dentre tantas), o arroz foi importando para uso industrial, na produção de colas, mas funcionários da Mikasa Foods desviaram o lote para produção de comida, que contaminada por pesticida e fungo foi servida em escolas, restaurantes, hospitais, lojas e lanchonetes

O imenso volume de herbicidas aplicados no Brasil contamina os solos, os mananciais e até mesmo o aqüífero Guarani. A contaminação dos mananciais e aqüíferos também chegará até nós pela água que bebemos e pelos produtos agrícolas irrigados com a água contaminada

Um estudo do U.S. Geological Survey demonstrou que seis agrotóxicos persistentes foram encontrados nos poços em todo os EUA. Se esta tragédia tóxica acontece mesmo sob rígido controle, imaginem do lado de baixo do Equador

Um outro estudo nos EUA demonstrou a contaminação da água de poços domésticos, o que não deve ser muito diferente por aqui, principalmente nas zonas rurais, intensamente expostas pela aplicação dos agrotóxicos

Até mesmo os produtos orgânicos podem ser contaminados indiretamente, como é o caso dos antibióticos usados em animais e que são absorvidos pelas hortaliças cultivadas em solo adubado com resíduos animais. A agricultura orgânica é intensa utilizadora da adubação orgânica

O abusivo uso de antibióticos levou a Coréia do Sul a rejeitar frango contaminado com antibióticos procedente do Brasil. Se isto acontece com o frango de exportação, o que acontecerá com o frango consumido por aqui mesmo?

O tema da contaminação por antibióticos foi muito bem discutido no artigo "Antibióticos, o mal que entra pela boca do homem", de Ana Echevenguá

Nem mesmo o mel está protegido de contaminação, como demonstrou a revista alemã Öko-TEST, de 02/01/2009, que, a partir de testes em laboratório, identificou uma generalizada contaminação do mel por transgênicos e agrotóxicos

A contaminação das abelhas é um desastre global que ameaça a produção de alimentos. A segurança alimentar está ameaçada e a crise alimentar pode adquirir contornos ainda mais trágicos se a maciça morte de colônias inteiras de abelhas continuar no ritmo atual. Sem este pequeno inseto polinizador os efeitos na produção agrícola podem ser devastadores

Poucas pessoas sabem que as abelhas prestam serviços ambientais muito mais relevantes do que a mera produção de mel. As mais de 20 mil espécies de abelhas polinizam a floração de, pelo menos, 90 culturas, tais como maçãs, nozes, abacates, soja, aspargos, brócolos, aipo, abóbora e pepino, laranjas, limões, pêssegos, kiwi, cerejas, morangos, melões, milho etc.

Como já havia ocorrido com o tomate, a batata, o figo e o morango, também a uva recebe grandes doses de agrotóxicos. Uma pesquisa da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre o efeito de agrotóxicos em vinicultores do Rio Grande do Sul revelou altos índices de intoxicação

Falando em uva, uma pesquisa comprovou que a exposição de ratas grávidas ao fungicida vinclozolin provocou inflamação na próstata dos filhos quando adultos. Este é um fungicida muito utilizado em uvas

Poucas pessoas percebem que estamos expostos a um coquetel de diversos agrotóxicos, que não são testados, em termos de segurança, para exposição associada

O tema do envenenamento cotidiano foi debatido com clareza e precisão nos artigos "Agrotóxicos: O holocausto está aqui, mas não o vêem", de Graciela Cristina Gómez, e "Agrotóxicos: poluição invisível", de Márcia Pimenta

Uma pesquisa norte-americana demonstrou que pesticidas comuns na agricultura comercial, que podem ‘atacar’ o sistema nervoso central dos salmões, tornam-se ainda mais mortais quando combinados com outros pesticidas

Cientistas do NOAA Fisheries Service e da Washington State University esperavam entrar efeitos perigosos nos pesticidas acumulados na água, mas ficaram surpresos com a sinergia mortal de algumas combinações de pesticidas, mesmo quando combinados em níveis considerados baixos.

Resultado comparável foi obtido com a exposição de anfíbios e pesquisadores; mesmo baixas concentrações de pesticidas podem ser tóxicas quando vários produtos são misturados

Se isto acontece com peixes e anfíbios, por que não com outros animais? Incluídos os humanos que são envenenados e com os desumanos que nos envenenam.

Também nos EUA, duas novas pesquisas, publicadas na edição online da revista Journal of Chromatography B, indicam que o leite nos EUA e Europa pode estar contaminado com estrogênios e com fármacos de uso veterinário

A lista de acusações contra os agrotóxicos é imensa. Sabemos, graças a pesquisas científicas, que o pesticida Dieldrin é associado ao câncer de mama e que pesticidas podem afetar a fertilidade feminina. Os pesticidas, também, são relacionados a tumores cerebrais em mulheres.

Pesquisa da Fiocruz identificou que a exposição a agrotóxicos causa declínio no nascimento de homens em cidades do Paraná

A intensa utilização de agrotóxicos no Brasil é ainda mais irresponsável do que nos EUA e na Europa. Em primeiro lugar porque o agricultor brasileiro usa mais agrotóxicos do que o necessário. Em segundo, porque, no Brasil, importamos agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos

E, em terceiro, porque um levantamento do Ministério da Agricultura detectou que agricultores estão utilizando agrotóxicos irregulares em pelo menos 61 hortaliças e frutas produzidas no Brasil. Os agrotóxicos registrados para o tomate, por exemplo, estão sendo utilizados para combater ervas daninhas e pragas da berinjela. A maior parte destes alimentos faz parte da dieta alimentar diária dos brasileiros

Como se não bastasse a importação e utilização legal de agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos, ainda são utilizados agrotóxicos ilegais, contrabandeados e sem qualquer controle de toxidade, como noticiamos na matéria "O veneno à nossa mesa: Polícia Federal realiza operação de repressão ao contrabando de agrotóxicos ilegais"

Para aumentar o caos venenoso, ainda há quem adultere a formulação de agrotóxicos autorizados, como ocorreu quando a fiscalização da Anvisa apreendeu 1 milhão de litros de agrotóxicos adulterados na Bayer

Mas este foi apenas mais um caso, porque, em agosto/2009, a Anvisa já havia apreendido 950 mil litros de agrotóxicos adulterados e interditado a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Iharabras S.A Indústria Química, integrante de um conglomerado japonês.

Antes disso, operação simultânea da Anvisa e Polícia Federal apreendeu 2,5 milhões de litros de agrotóxico adulterado e interditou a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Milenia Agrociencias S/A, filial do grupo israelense Makhteshim Agan.

Observem, nestes três casos mais recentes, que não estamos falando de laboratórios clandestinos ou ‘empresas de garagem’, mas de grandes multinacionais. Por aí imaginem o que se produz e se adultera em estabelecimentos clandestinos.

A Anvisa, em abril/2008, divulgou o resultado do monitoramento de agrotóxicos em alimentos. O tomate, o morango e a alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos, durante o ano de 2007. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com resíduos de agrotóxicos

Fazendo um balanço deste criminoso e continuado envenenamento cotidiano, uma excelente reportagem de Nilza Bellini, na Revista Problemas Brasileiros, nº. 394, denunciou que o Brasil é campeão mundial de envenenamento e que os pesticidas intoxicam trabalhadores rurais e contaminam alimentos

Bem, a lista de ‘desastres’ seria infinita e esta, creio, já é suficiente para uma rápida reflexão.

Aqui volto à minha questão inicial: qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos? Quem arca com as conseqüências e quem realmente paga por isto?

Pagamos nós, com nossa saúde e nossas vidas, mais este ‘subsídio’ aos que dizem alimentar o mundo.

Sinceramente, não me sinto grato pelo ‘imenso favor’ de nos alimentarem. Alimentam, é fato, mas colocam o veneno à nossa mesa.

Henrique Cortez é ambientalista e coordenador do Portal EcoDebate

Correio da Cidadania

Um velho companheiro

Sem raça definida o cão vira-lata brasileiro é autônomo, simpático, inteligente e versátil – e teve papel fundamental na história da colonização do país.

Evaristo Eduardo de Miranda
Foto de Rodrigo Baleia

 

cachorro

O cachorro trouxe nova realidade para a vida nativa brasileira. Na Amazônia, os vira-latas vivem em cumplicidade com crianças caboclas. São úteis na caça e seus latidos denunciam a presença de estranhos.

Durante centenas de milhares de anos, o sono dos seres humanos foi leve e conturbado. Animais selvagens, predadores, grupos inimigos e ameaças de todo tipo impediam qualquer pessoa de dormir profundamente. Era preciso estar vigilante. Nossas noites começaram a ser tranquilas graças ao cachorro. A domesticação progressiva dos cães, com sua excepcional capacidade de detectar intrusos pelo ruído e pelo olfato, latindo e dando sinal nas proximidades do acampamento humano, foi uma enorme mudança na vida cotidiana. Comparável à descoberta do fogo.
A habilidade de fazer fogo foi uma das maiores conquistas tecnológicas da humanidade. Permitiu o aquecimento, a iluminação; trouxe conforto e novas técnicas, como o cozimento dos alimentos, a cerâmica, a metalurgia e tantos outros avanços. A domesticação do cachorro foi, talvez, o segundo de nossos maiores êxitos. Hoje o cão é encontrado em todo o mundo como animal doméstico. Impossível, em nossos dias, uma sociedade humana sem fogo e sem cachorro.
O cão é um mamífero carnívoro da família dos canídeos. Seu nome científico é Canis familiaris, e a espécie descende de populações selvagens do lobo eurasiático (Canis lupus). Todo o cão, independentemente de raça, é descendente longínquo dos lobos selvagens e primo da raposa. O menor dos cachorros, como esses que algumas senhoras levam dentro da bolsa, é descendente do lobo. Durante muito tempo acreditou-se que o homem domesticara o lobo, recuperando e criando seus filhotes. Hoje as pesquisas indicam quase o contrário. Foi o cachorro quem, de certa forma, domesticou os seres humanos, acompanhando-os de longe, persistindo, convencendo-os de sua utilidade e colocando-os a seu serviço.
Um pouco como as hienas fazem com os leões e outros predadores, determinados tipos de lobo seguiam os deslocamentos humanos a distância. Sempre prontos a recuperar resíduos alimentares, como ossos, ligamentos e restos com um pouco de gordura e carne. Nômades, os caçadores-coletores primitivos eram comedores de carniça, assim como os lobos. Com o tempo, os seres humanos também seguiam e observavam os mesmos lobos para detectar uma presa ou carniça. Para esses animais, era um ótimo negócio compartilhar uma carniça ou caça com os seres humanos, que apresentavam armas, cada vez mais sofisticadas, para obtê-la e defendê-la de outros predadores.
A competência em dar sinal em caso da chegada de intrusos permitiu e garantiu a permanência desses animais dos acampamentos humanos. Uma interdependência estava criada. Trouxemos os filhotes para dentro de nossas cavernas e cabanas. E imaginamos o simétrico: mitos e histórias em que lobos amamentam, por exemplo, os fundadores de Roma ou Mogli, o menino-lobo (sem falar no lobisomem).
Com essa proximidade, começamos a compartilhar comida e doenças, ócio e trabalho, inimigos e ameaças. Os seres humanos puderam, enfim, dormir. Relaxar. Entrar num estágio de sono profundo, confiando sua noite e seus sonhos ao aguçado olfato e à audição superior dos companheiros cachorros. Faz pouco tempo: menos de 20 mil anos de bons sonhos contra centenas de milhares de anos de pesadelo.

Cachorro de índio

Ao contrário do que muitos imaginam, no século 16, não foram facões, machados ou anzóis as tecnologias europeias mais desejadas e adotadas pelos indígenas brasileiros – mas o cachorro. A razão inicial da ampla difusão e do sucesso dessa tecnologia europeia com os índios do Brasil foi seu uso como defesa. Os cães foram mais úteis aos indígenas que o irreprodutível metal dos europeus.
Na chegada dos portugueses ao litoral brasileiro, a expansão territorial dos tupis ainda não estava consolidada, apesar do desaparecimento dos sambaquieiros e outros povos. As guerras entre tribos e aldeias eram permanentes e marcadas pela exoantropofagia. Mulheres e crianças eram as maiores vítimas: fáceis de capturar, imobilizar e transportar, mais indefesas que os guerreiros. Buscar água ou brincar longe das aldeias era um risco enorme. A vida concreta das mulheres e crianças nativas, naquela época, era muito distante da mítica visão paradisíaca apresentada em alguns livros de história.
A introdução do cachorro pelos portugueses, sobretudo pelas mãos dos jesuítas, inaugurou nova era de sono tranquilo para os índios brasileiros. Em caso de aproximação de guerreiros inimigos, de dia ou de noite, os cachorros davam sinal e até atacavam os potenciais agressores. O cachorro foi integrado nas tribos como o primeiro mamífero doméstico – e continua sendo o mais extraordinário deles, capaz de seguir os passos do indígena, obedecer a suas ordens e cumprir tarefas diversas. Essa intimidade é tamanha que ainda hoje é comum observar índias amamentarem cães em seus seios ou prepará-los assados como alimento.
Como no caso dos primeiros grupos humanos, só tempos depois os índios descobriram a capacidade de caça dos cachorros. Foi uma revolução em suas vidas. A eficiência cinegética dos bichos, sozinhos ou em alcateia, como no caso dos lobos, introduziu mudanças nas técnicas de caça indígenas e até nos ritos relativos à captura da temida onça, por exemplo, antes normalmente atraída para armadilhas cavadas no solo, como indicam relatos dos jesuítas. A capacidade do cachorro de farejar, perseguir e acuar as onças no alto das árvores trouxe nova realidade às aldeias. Conforme o dito popular, nenhum índio se sentia mais num mato sem cachorro. E o sucesso reprodutivo dos cães garantiu rápida expansão de sua presença entre as tribos. Logo os caninos chegaram às aldeias mais remotas no interior, cujo contato com os brancos e suas tecnologias só ocorreria séculos mais tarde.

Símbolo e função
Os cães são naturalmente prolíficos. Cada ninhada tem, em média, de seis a oito filhotes. São fáceis de reproduzir. Os cios são frequentes. As fêmeas aceitam muitos machos. Às vezes, uma ninhada tem filhos de vários pais. E o intervalo entre partos é pequeno, o que permite à fêmea parir duas vezes por ano. Qualquer criador sabe: o tempo de geração curto e os filhotes numerosos são os ingredientes básicos de uma seleção genética animal rápida e eficiente. Há séculos, os seres humanos selecionam e aperfeiçoam raças de cachorro capazes de cumprir os mais diversos papéis e funções sociais. As raças são também símbolos de status, beleza, segurança, riqueza, força.
É curioso, mas um trabalho de seleção bastante parecido também foi feito pelos cachorros, sem que os seres humanos percebessem. Foi assim na Babilônia, nas cidades gregas e no Império Romano. Foi assim no Brasil, é claro. Nas ruas e nos subúrbios das metrópoles, nas fazendas e nos pequenos sítios, nas margens dos rios amazônicos ou no meio da caatinga, nas favelas e nos lixões. No caso dos vira-latas, as condições ambientais e as leis de Darwin selecionaram o melhor sucesso reprodutivo e adaptativo.
O vira-lata brasileiro é um cão autônomo, de grande inteligência e com enorme capacidade de conformação. Seus formato e tamanho são médios. Sua pelagem é curta e de cores ajustadas às condições ambientais, variando do negro ao bege-claro. Correm, nadam, sabem dissimular e têm todos os sentidos aguçados e bastante equilibrados. Muitas pessoas certamente ficariam na dúvida em identificar o nome de certa raça de cachorro com pedigree, mas poucos hesitariam em reconhecer um vira-lata, um rasga-saco, um pé-duro ou um, na linguagem formal dos veterinários, SRD (ou sem raça definida).
O SRD tolera e resiste a doenças e enfrenta sozinho condições ambientais adversas nas quais outros cães não teriam nenhuma chance de sobrevivência, seja no meio do mato, seja na área rural ou mesmo nos grandes centros urbanos. Oposto aos cachorros de raça, especialistas por natureza, o vira-lata é antes de tudo um generalista. Seu talento, seu conhecimento e seu interesse se estendem a vários "campos", não se confinando em nenhum setor, como seus parentes com pedigree. Ele está geneticamente equipado para lidar com diversas situações, impostas pela natureza ou pelos seres humanos.
Uma coleção de acasos e oportunidades deu origem e moldou o vira-lata brasileiro. Ele segue evoluindo enquanto, no caso dos cães de raça, o esforço dos seres humanos é garantir a não evolução, a manutenção das características da raça e sua imutabilidade. Nesse processo, o animal vira-lata foi bem mais proativo que o ser humano. Na história de introdução e multiplicação de cachorros Brasil afora, o cão foi mais sujeito que objeto. Ele sentia o cio das fêmeas. Ele fugia para encontrá-las, viver suas aventuras. Pouco exigente em termos de alimento e abrigo, ele fez sua vida nas fazendas, nas cidades, nos vilarejos, acompanhando boiadas ou bandeiras, sítios e residências, saltando de canoa em canoa, de vagão em vagão, de circo em circo, seguindo andarilhos e romeiros ou caminhando solitário pelas trilhas e estradas, empreendendo viagens aventureiras e amorosas pelas terras brasileiras.

Olhos nos olhos

É necessário enorme treinamento para um chimpanzé aprender o significado de uma ordem ou de dois gestos humanos. Mas um cachorro é capaz de entender mais de 100 palavras e identificar pelo nome até 200 objetos. No Pantanal, nos sertões e nas montanhas de Minas Gerais, os cães pastores atendem a apitos, assobios, gritos, palavras e gestos, mesmo a grandes distâncias, realizando com precisão suas tarefas entre os rebanhos de bovinos, ovinos e caprinos. Da mesma forma, na zona rural, os vira-latas aprendem e colaboram nas diversas técnicas de caça empregadas no caso de onças, tatus, pacas, perdizes, jacus ou no que seja. A razão é simples: há milhares de anos o cachorro tem sido selecionado para nos entender, nos ajudar, cumprir nossas ordens e atender a nossos desejos.
Desde sua domesticação, o cachorro tornou-se uma criatura poliglota, uma das poucas capazes de comunicação interespecífica. Esse animal bilíngue é capaz de comunicar-se com sua espécie e com os seres humanos como nenhum outro. Os cães estão sempre atentos, captam e interpretam a voz das pessoas, seus gestos, a expressão de seu rosto e, sobretudo, seus olhos. É obrigação deles insinuar-se no meio dos seres humanos, acompanhando sua evolução, conquistando os mais diversos grupos e lugares sociais. O primeiro terráqueo a viajar até o espaço sideral foi um cão: a cadela russa Laika.
Algumas raças de cachorro praticamente não latem, outras não uivam e outras são muito barulhentas. Os vira-latas, dada a multiplicidade de situações que enfrentam para sobreviver em meio a outros animais e seres humanos, em áreas rurais e urbanas, não perderam nem uma só nota musical de suas competências sonoras. Cachorros são capazes de rosnar, acuar, barroar, cainhar, esganiçar, ganir, ladrar, latir, uivar e ulular. Não temos tantos verbos para descrever os sons de outra espécie animal. E, no universo sonoro, os cães ainda são aptos a muito mais. Nós é que, simplesmente, não os escutamos.
Suas orelhas, estimuladas por 25 músculos, giram, sobem, descem, movem-se de forma dissociada ou coordenada e detectam com precisão a origem dos sons. Para defender um estábulo ou caçar uma presa, por exemplo, esse recurso é fundamental. Cães são bem mais eficientes que gatos ao caçar ratos, apesar do inabalável marketing dos felinos. Eles percebem os ruídos sutis das mandíbulas dos roedores e sabem onde estão. Seu aparelho auditivo pode captar frequências duas a três vezes maiores do que somos capazes. Em termos de comparação, para alcançar a gama auditiva dos cães, teríamos de agregar 48 teclas à direita de um piano. Por isso, eles sabem, de longe, pelo som, se um animal escapou do curral, se um estranho parou do lado de fora do muro ou se o veículo de sua dona se aproxima a cinco quadras dali. E, diante disso, tomam todas as providências pertinentes.

Faro fino
Cães de raça são procurados em canis especializados, comprados por altos valores e vêm com atestados de pedigree. No caso dos vira-latas, ocorre exatamente o contrário: são eles que buscam os seres humanos. Eles são capazes de insinuar-se e ser úteis nos mais diferentes ambientes ecológicos, sistemas de produção ou condições sociais do Brasil. Se os atestados de pedigree documentam toda a linhagem genealógica de um animal de raça, quase nunca se tem ideia de quem foram os pais de um vira-lata. Mesmo assim, um cão de pedigree com chip de identificação e toda a sua genealogia mapeada tem pouca chance de sobreviver se for abandonado, por exemplo, no meio da avenida Paulista, em São Paulo.
Já os vira-latas urbanos aprenderam a atravessar a rua. Aguardam os veículos passarem. Respeitam os sinais. E, em muitos casos, usam "homens-guias": nos cruzamentos mais difíceis, eles observam e seguem as pessoas. Da mesma forma que os deficientes visuais se utilizam dos cães-guias, os vira-latas, nessas e em várias outras situações, se servem dos seres humanos. Tudo isso sem que seja preciso treiná-los.
Os vira-latas demonstram tão rapidamente sua capacidade de apreender e expandir a mente por razões genéticas. Mas também porque, desde os primeiros dias de seu nascimento, estão expostos a grande variedade de experiências sensoriais, sobretudo nas patas. Seguem a mãe no capim, na areia, no cimento, na terra.
O agitar da cauda expressa a vida emocional dos cachorros, do mesmo modo que nossas expressões faciais. A cauda é, de certa forma, o rosto do cão. Estudos comprovam que o rabo balança, de forma assimétrica, de um lado para o outro. O cachorro agita sua cauda mais para a direita na presença ou proximidade de seu dono e em situações de conforto. Ele a balança mais para a esquerda quando está com medo, cauteloso ou apreensivo. Como diz a lenda, existem vira-latas tão inteligentes que são capazes de jogar pôquer. Mas nunca ganham porque quando têm um bom jogo… sempre balançam o rabo.
A maior genialidade sensorial do vira-lata é seu olfato. Além de uma sensibilidade bem superior à nossa, o que assombra é sua capacidade seletiva. Onde sentimos cheiro de feijoada, o cachorro identifica o odor da linguiça, do feijão, do louro, da cebola e de todos os ingredientes, um por um. O olfato seletivo dos vira-latas permite que sigam uma pista, uma presa ou uma fêmea por longas distâncias. Eles identificam no meio de um saco de lixo a presença de algum item comestível – ou seja, qualquer produto orgânico em qualquer estado de decomposição. Vira-latas não ruminam. Engolem quase sem mastigar. Seu suco gástrico poderoso transforma todas as matérias e bactérias em nutrientes saudáveis.
Com esse conjunto de excelências, é normal que, como superlativo de beleza, utilizemos, em português, a expressão: "Bonito pra cachorro!" Da mesma forma, um prato delicioso é "Bom pra cachorro!" Para elogiar a excepcional competência ou o bom desempenho de alguém, dizemos "O cara é o cão!" E a fidelidade a toda prova é descrita como "lealdade canina".
Atores históricos
Os vira-latas desembarcaram com os portugueses, participaram das entradas e bandeiras, testemunharam o grito do Ipiranga às margens plácidas, a proclamação da República e estiveram presentes nas diversas expedições do marechal Rondon e dos irmãos Villas Bôas. Há uns 15 anos, ouvi, emocionado, em uma roda de jornalistas, uma lição de patriotismo relatada pelo grande indigenista Orlando Villas Bôas como quem conta um causo. E vou narrá-la, do jeito que eu me alembro.
Orlando estava numa de suas heroicas expedições pelo Brasil desconhecido, sem contato com a civilização há muito tempo. Um dia, consultando seu diário, realizou que era 7 de setembro. Não teve dúvida. Mandou improvisar um mastro com um tronco de paxiúba. Reuniu todos os seus homens e, em ordem-unida, hastearam a bandeira brasileira e cantaram o Hino Nacional lá no coração da selva. Uma manifestação cívica, sem nenhuma outra testemunha senão a natureza naquele fim de mundo. A emoção foi geral. Terminada a comemoração patriótica, o chefe de seus mateiros, um rude e experimentado sertanejo, aproximou-se. Com jeitinho, quase confidente, puxou o sertanista de lado e comentou: "Bonita cerimônia, hein, doutor Orlando?" "Pois é", respondeu o sertanista.
"Que mal lhe pergunte…", prosseguiu o sertanejo, curioso. "Qual foi mesmo a razão dessa homenage toda?" "Ora! A independência!", respondeu Orlando. "Ah! Ela merece, merece mesmo." "Como assim?" "A Pendência!" "Pendência?!", questionou o sertanista, intrigado.
Foi quando ouviu do mateiro: "É, ela memo. Cachorra boa pra paca como a Pendência nunca mais nóis tivemo, depois que aquela onça matô a coitada. E eu que já quase nem me alembrava do dia dessa tragédia…"

National Geographic

Cabras marcados pelo estigma

Jornal da UNICAMP

Tese defendida no IEL mostra como setores da mídia tratam o Nordeste de forma pejorativa

ISABEL GARDENAL

Daniel do Nascimento e Silva Não foi somente o fato de ser um nordestino de Fortaleza e ter orgulho de sua terra que motivou o linguista Daniel do Nascimento e Silva a refutar em sua tese de doutorado a imagem do Nordeste retratada pejorativamente por segmentos da mídia impressa no Brasil. Sua pesquisa, apresentada no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, teve como uma das principais conclusões a de que o Nordeste é apresentado na mídia como um território do passado, violento e da fome, no limiar entre a vida e a morte. E foi justamente este limiar que mais chamou a atenção de Silva, justamente porque, segundo o linguista, os nordestinos, estando nesta zona limítrofe, apresentam-se como possibilidade de crítica aos princípios desiguais da modernidade, pautada numa ideia de vida que triunfa sobre a morte.

A tese, orientada pelo professor do IEL Kanavillil Rajagopalan, alinhava o tema tomando como amostras dois jornais de São Paulo e um do Rio de Janeiro, além de uma revista de circulação nacional. Por vezes, o autor se amparou em outras mídias, como o Portal Centro de Mídia Independente, para obter dados subsidiários. Silva fez uma pesquisa documental. Trabalhou ainda com um corpus paralelo: o corpus literário, que se justifica, conforme o autor, para tentar compreender as condições históricas da inteligibilidade do Nordeste, uma memória que deve ser recuperada. Empregou ainda algumas renomadas obras literárias de autores que mostram o surgimento da figura do nordestino. São elas, dentre outras,  Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e A Fome, de Rodolfo Teófilo, as quais ajudaram a dar sustentação a um capítulo especial sobre a história do Nordeste.

O linguista também recorreu a autores internacionais como Judith Butler, filósofa pós-estruturalista e crítica feminista da Universidade da Califórnia, em Berkeley, para quem a linguagem fere e pode machucar tanto quanto a agressão física, seja por meio de ofensa, de chistes ou da desvalorização. Para a filósofa, nenhum termo pode ferir sem uma dissimulada historicidade da força. “Se o termo fere, é porque no fundo carrega consigo uma história que foi sutilmente apagada para poder machucar. É o caso das palavras que evocam o racismo, baseadas na história da escravidão”.
Violência
Um dos termos que mais se sobressaiu na tese de Silva foi a “violência”, dele resultando as intenções de setores da mídia de tratar os nordestinos como cidadãos de segunda classe, como pessoas inferiores, preguiçosas e mortas de fome, que vêm para o Sudeste a fim de sobreviver ou para se dar bem na vida.

img_ju452-05aa O linguista explica que a violência linguística funciona de modo semelhante ao da linguagem. Como seres constituídos por uma língua articulada, ao não fazer uso da linguagem, deixaríamos de ser humanos, questão fundamental encontrada na Linguística. Mas o que não se sabe é que esta constituição não se dá de uma maneira tranquila. Para Judith Butler, engastada em Jacques Lacan, o nome é uma forma de interpelação: ele é dado às pessoas quando nascem e é uma marca que se carrega para o resto da vida, seja positiva ou negativamente. “Por mais que se escolha um apelido, o nome continuará existindo”, conta. Judith Butler vai mais fundo e radicaliza Lacan sustentando que o nome não é apenas a primeira forma de interpelação, senão também a primeira forma de violência linguística que se aprende.

Outro objetivo da tese foi elucidar como a descrição sobre o Nordeste e o nordestino relacionava-se com a construção da modernidade e dos modernos no Brasil, já que a região, desde a sua invenção discursiva, no fim da década de 1910, comparece nos meios de comunicação como o território do passado. “A descrição está relacionada com a própria constituição de uma hegemonia, que é linguisticamente visível”, avalia o pesquisador. Um outro objetivo consistiu ainda em tentar perceber a subjetividade nordestina e como esta, em última instância, pode ser vista como uma forma de crítica a este modelo moderno e liberal do sujeito que a mídia apregoou.

Ao tentar entender por que o Nordeste comparece na mídia como território do passado, da violência, da fome e da morte, o linguista percebeu algo curioso. Os mesmos termos que compareciam na arte como forma de crítica, são usados na mídia para ferir. Na pintura de João Cândido Portinari, por exemplo, boa parte da sua obra era dedicada às causas sociais e muitos dos seus quadros tinham como inspiração o Nordeste. Num dos mais expressivos, Retirantes, os nordestinos são mostrados como verdadeiros mortos-vivos ou fantasmas fugindo da seca. No entanto, na mídia, essa imagem assume outro valor. Numa das publicações estudadas, do ano de 1969, a reportagem tematiza “milhões de nordestinos praticamente mortos”. Já na década de 80, famílias nordestinas são retratadas nos termos de uma morte que está sempre à espreita.

A forma como a pintura e a literatura tratam desta indistinção entre vida e morte – a sobrevida – é muito diferente da mídia. Na literatura, observa o pesquisador, existe um tratamento especial da palavra. Graciliano Ramos, que fala da morte em Vidas Secas, no fundo faz uma crítica social. “Ali o nordestino que sofre e está à beira da morte é tomado como exemplo para questionar a própria subjetividade humana. Na realidade, todas as pessoas se deparam com situações assim, como a própria incerteza da continuidade da vida. Temos algumas garantias, mas não todas”, expõe o linguista.

Ainda em Vidas Secas, o narrador fica se perguntando se o personagem Fabiano algum dia se tornará homem ou se será sempre o mesmo, “um cabra governado pelos outros”. Na adaptação para o cinema, a personagem sinhá Vitória, sua mulher, questiona o marido se um dia eles terão uma cama de gente. Em todo o percurso, o marido pouco fala. “A intenção no texto é que o humano seja menos expressivo que um animal. Até a cachorra Baleia consegue ser mais comunicativa que ele”, alude. Por outro lado, “na mídia há uma recontextualização dessas imagens com a finalidade de ferir.”

img_ju452-05b Esse modo conflitante de ver o nordestino surpreendeu mesmo o linguista, visto que a mídia, a literatura e a pintura estavam tratando do mesmo assunto. Aparentemente, Gilmara Cerqueira, uma personagem nordestina entrevistada em 2006 por um dos veículos avaliados, em texto que apontava o perfil do eleitor do próximo presidente, que veio a ser Lula, era descrita de uma forma muito semelhante ao relato de Macabéa, de Clarice Lispector, em A Hora da Estrela, uma nordestina que migra para o Rio de Janeiro. “Macabéa não sabia se o céu era para cima ou para baixo”, contextualiza. Comparativamente a ela, no texto, Gilmara não sabia o que era o mensalão. “Pegando-se as situações literalmente, elas podiam ser até muito parecidas, porém os propósitos eram muito diferentes na mídia, pela forma dissimulada de uso de uma historicidade para ferir.”
Contextualização
Silva estudou o filósofo Jacques Derrida. O teórico afirma que, quando uma palavra é tirada de um lugar e levada para outro, a sua estrutura rompe com o contexto original. A isso ele chama “iterabilidade”, que é uma condição de possibilidade da própria linguagem, submetendo a palavra à lógica da repetição e da alteridade. “Você recontextualiza, mas rompe com o original. Assim, a mídia usa os termos da inteligibilidade do Nordeste e rompe com seus propósitos originais, com a finalidade de excluir”, explica.

Vítima desse comportamento, o pesquisador ouviu muito as pessoas dizerem na cidade de São Paulo que os nordestinos deveriam agradecer por virem trabalhar nas portarias de prédios e por não estarem no Nordeste morrendo de fome. Quando queriam se identificar com o linguista diziam então que ele não parecia nordestino. “Dizer que todo nordestino é igual é um dos princípios da discriminação e é simplista demais”, realça.

Indagado se ele foge ao estereótipo difundido pela mídia, Silva diz que em parte não. Veio de uma classe social baixa de Fortaleza, o pai ficou desempregado por muito tempo e foi criado pela família paterna. A avó trabalhava como autônoma e o avô como carpinteiro. “Se eu tivesse dez anos neste contexto das políticas sociais, eu me enquadraria naquela classe social que teria hoje direito a uma bolsa-família”, conta. “Sou um exemplo vivo de que as pessoas podem alcançar seus objetivos, não apenas sonhar. Além de ter estudado em escola pública na infância, também ingressei em Universidade pública.” Teve algumas oportunidades, e com o apoio que recebeu as empregou positivamente.
Preconceito
Em uma das suas análises, Silva notou mudança de enfoque entre a revista e os jornais escolhidos. Um dos jornais de São Paulo era muito explícito em questões de preconceito. Outro, mais sutil, não deixou de dar mostras disso. Ao abordar a distribuição dos eleitores para os candidatos Alckmin e Lula, nas últimas eleições, o jornal designou o grupo de eleitores de Alckmin de “espectro”. Já os eleitores de Lula foram chamados de “mancha”. Estas metáforas foram amplamente empregadas no texto. O “espectro” era utilizado como sinônimo de luz e, “mancha”, como algo indesejado.

img_ju452-05c Todos os veículos de comunicação avaliados, diz o linguista, reforçaram o perfil do nordestino como pobre, morto de fome, atrasado, inculto e ingênuo. “Temos que pensar que modernidade não prescinde da ideia de futuro. Ela carrega em si o princípio do progresso.” Uma das manchetes da revista referiu-se ao Nordeste como a terra do passado que luta contra o futuro. “Isso é algo forte demais”, contesta o autor da tese.

Ele defende que a questão nordestina deveria ganhar um novo enfoque, isso porque o sujeito nordestino, por sua sobrevida (nem vida nem morte), pode ser visto como forma de crítica às identidades e subjetividades da mídia hegemônica, “que são vivas, abraçadas pelo futuro, pelo progresso e pelo prazer”. Outra forma de dizer o sujeito, em seu modo de ver, seria pensá-lo sobre uma base não-vitalista. “Eu tentaria mostrar que as pessoas hoje em dia, por exemplo, sobrevivem diante do medo da violência, e essa sobrevivência indica que vida e futuro não são uma garantia, mas uma conquista.”

Em último caso, salienta ele, poderia ser feita uma descrição mais realista de como os nordestinos vivem atualmente. “Lá não se morre de fome desde a década de 80. E ainda hoje a ideia da fome está impressa nos jornais, muito viva e arraigada”, relata. Também opina que o preconceito contra a imagem do presidente Lula se constroi pela imagem negativa que se tem do Nordeste. É muito marcante para a mídia que, ao menosprezar a região, também se menospreze o seu representante.

Para Silva, o nordestino é um povo guerreiro, muito hospitaleiro, bem-humorado e trabalhador. “O Nordeste não parou no tempo, como muitos julgam”, destaca. E desafia: “cada um vê do modo que aprendeu a ver, mas procurem olhar o Nordeste de outra forma”.

Silva trabalhou em Berkeley por um ano, no Departamento de Antropologia, com auxílio de bolsa Capes. Lá fez um estágio-sanduíche e estudou mais especificamente com pesquisadores que trabalham com a temática da violência, o que ampliou sua perspectiva, tanto que as ferramentas de análise como elaborações teóricas e o refinamento da pragmática foram desenvolvidos no período em que esteve lá. A partir de alguns trabalhos no campo da Pragmática, como as obras do filósofo inglês John Austin, Silva demonstrou que nos seus escritos filosóficos a linguagem não é, contrariamente à tradição pregada, uma forma de descrever o mundo e sim uma forma de agir no mundo.

Crise na Zona do Euro: o caminho da servidão, da Grécia a Letônia

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A maioria dos meios de comunicação bate o pé na gravidade das dificuldades que a Grécia atravessa (e também Espanha, Irlanda e Portugal) no contexto europeu. Eles apenas fazem eco da crise muito mais severa, devastadora e potencialmente letal que assola as economias pós-soviéticas vinculadas ao plano de integração na Zona do Euro. Não há dúvida de que esse silêncio se deve a que, aquilo por que esses países vem passando constitui uma prova sumária do horror destrutivo do neoliberalismo. A análise é de Michael Hudson e Jeffrey Sommers.

Michael Hudson e Jeffrey Sommers

A maioria dos meios de comunicação bate o pé na gravidade das dificuldades que a Grécia atravessa (e também Espanha, Irlanda e Portugal) no contexto europeu. Eles apenas fazem eco da crise muito mais severa, devastadora e potencialmente letal que assola as economias pós-soviéticas vinculadas ao plano de integração na Zona do Euro.
Não há dúvida de que esse silêncio se deve a que, aquilo por que esses países vem passando constitui uma prova sumária do horror destrutivo do neoliberalismo. O mesmo horror da política européia, que consiste em tratar esses países de forma bem diferente da prometida, não os ajudando a se desenvolverem em termos europeus ocidentais, masa os tratando como áreas meramente prontas a serem colonizadas como mercados financeiros e de exportação, destituindo-lhes de suas mais-valias econômicas, de sua mão de obra qualificada – e praticamente de toda sua força laboral em idade de trabalhar -, de seus bens imóveis e de prédios, e de qualquer outra coisa herdada da era soviética.
A Letônia vem passando por uma das piores crises econômicas ocorridas em todo o mundo. E não se trata somente de uma questão econômica, mas também demográfica. A diminuição brusca de seu Produto Interno Bruto (PIB), em 25,5% nos dois últimos anos (quase 20% só no último) já constitui a pior queda bianual de que se tem registro. as previsões mais otimistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipam uma queda adicional de 4%, a qual faria com que o afundamento da economia letã superasse em cifras as da Grande Depressão dos Estados Unidos. E as más notícias não acabam aí. O FMI prevê que, em 2009, houve um déficit total na conta de capital e financeira de 420 bilhões de euros, aos quais acrescentaram-se mais 150 bilhões (9% do PIB) em 2010.
Além disso, o setor público letão acumula dívida rapidamente. A Letônia passou a ter uma dívida que, em 2007, representava 7,9% do PIB, com uma projeção para este ano de cerca de 74%. A previsão indica que, no melhor cenário possível, se estabilizaria em 89% em 2014. Isto poria o país muito longe dos requisitos impostos pelo Tratado de Maastricht sobre os limites da dívida pública para poder fazer parte da Zona do Euro. Por isso, conseguir entrar na Zona do Euro tem sido o principal pretexto utilizado pelo Banco Central da Letônia para justificar as dolorosas medidas de austeridade que permitam estabilizar o valor da moeda. Para manter o valor da moeda tem-se destinado quantidades imensas de reservas monetárias que poderiam ser investidas na economia do país.
Mesmo assim, ninguém nos países ocidentais parece estar se perguntando o que pode ter provocado a quebra da Letônia, que se estende ao resto das economias bálticas e a outras áreas pós-soviéticas, cujo caso mais extremo é o letão. Agora que faz quase vinte anos de sua liberação da velha URSS, em 91, dificilmente pode-se encontrar a causa de seus problemas unicamente no sistema soviético. Nem sequer se pode culpar somente a corrupção, que sem dúvida constitui uma herança do período de dissolução da URSS, embora tenha engordado, intensificando e inclusive promovendo a modalidade cleptocrática de rapina que proporcionou abundância de lucros a banqueiros e investidores ocidentais. Foram os neoliberais ocidentais que financiaram essas economias, graças às “reformas favoráveis aos negócios”, que receberam o aplauso entusiasta do Banco Mundial, de Washington e de Bruxelas.
É evidente que caberia desejar menos corrupção (mas, em quem mais os ocidentais confiariam?). Contudo, reduzir a corrupção drasticamente talvez fizesse com que o país não tivesse de ser jogado na mesma posição que a Estônia, rumo a um sistema de sujeição de escravidão por (euro)dívidas. Esta área báltica vizinha também tem sofrido um aumento descomunal do desemprego, uma forte redução do crescimento, uma séria deteriorização dos padrões de saúde e emigração, em contraste lancinante com o ocorrido na Escandinávia e na Finlândia.
Joseph Stiglitz, James Tobin e outros economistas proeminentes ocidentais têm começado a dizer que há aspectos radicalmente negativos na ordem financeira importada pelos homens de negócios depois do colapso soviético. Certamente, o caminho empreendido pela Europa Ocidental depois da Segunda Guerra Mundial não foi o da economia neoliberal. Contudo, o novo experimento báltico tem o antecedente do ensaio geral imposto na boca do fuzil pelos Chicago Boys no Chile. Na Letônia os consultores procediam de Georgetown, mas a ideologia era a mesma: desmantelar o setor público e influir internamente nos processos de decisão política.
Para a aplicação pós-soviética este experimento cruel, a idéa era a de que os bancos ocidentais, os investidores financeiros e, especialmente, os economistas do “livre mercado” (assim chamados porque o despreenderam da propriedade pública, dos encargos fiscais e deram um novo significado ao termo “free lunch”: “lucros sem contrapartidas”) tiveram carta branca na maior parte do bloco soviético, para redesenhar economias inteiras. Dado como a coisa terminou, parece que todos os desenhos foram iguais. Os nomes dos indivíduos eram distintos, mas a maioria estava vinculado a, ou financiados por Washington, Banco Mundial e União Européia. E, visto que os patrocinadores eram as instituições financeiras ocidentais, não deveríamos nos surpreender em demasia diante do fato de que imporiam um modelo redundante para seus interesses.
Tratou-se de um plano que nenhum governo democrático ocidental jamais teria podido aprovar. Repartiram as empresas públicas entre indivíduos cuja missão era vendê-las rapidamente e investidores ocidentais e a oligarcas que transfeririam seu dinheiro de forma segura a paraísos fiscais ocidentais. Para encobrir esses procedimentos, criaram sistemas locais impositivos que permitiram aos grandes clientes tradicionais dos bancos ocidentais – os monopólios sobre bens imóveis e sobre as infraestruturas naturais – ficarem praticamente livres do pagamento de impostos. Isso permitiu que suas rendas e a fixação de preços monopólicos se tornassem “livres” e pudessem ser revertidas para bancos ocientais, em forma de pagamento de juros, em vez de estarem sujeitos a impostos internos destinados à reconstrução dessas economiais.
Na União Soviética só havia bancos comerciais. Em vez de ajudar a esses países a criarem seus próprios bancos, a Europa ocidental fez com que seus bancos oferecessem créditos e carregaram essas economais com juros (sempre em euros e em outras moedas fortes, para garantia dos bancos). Isso consistiu numa violação do primeiro axioma das finanças: nunca emita dívida nominal em moeda forte quando seus juros venham a incidir sobre uma moeda mais débil.
Porém, como no caso da Islândia, a Europa prometeu a esses países que os ajudaria a se integrarem no euro mediante a aplicação de políticas adequadas. As “reformas” consistiram em mostrar-lhes como trasladar os impostos sobre os negócios e os bens imóveis (os principais clientes dos bancos) ao trabalho, não só como imposto fixo sobre os juros, mas como imposto fixo sobre “serviços sociais”; de acordo com estes, a Previdência Social e os serviços de saúde não são providos a partir de fundos do públicos orçamentários, articulados basicamnete a partir de um sistema fiscal global progressivo; os trabalhadores que pagassem uma conta de usuário para tais serviços.
À diferença dos países ocidentais, não existiam impostos relevantes sobre a propriedade. Isso obrigou aos governos a gravarem os trabalhadores e as empresas. À diferença dos países ocidentais, não havia impostos progressivos ou sobre a riqueza. Em média, a Letônia tinha o equivalente a um imposto fixo sobre a renda, de 59%. (Só em sonhos os líderes do Congresso dos EUA e seus lobistas conceberiam um imposto de renda tão punitivo, que liberaria de controle seus principais contribuintes nas campanhas eleitorais!). Com um imposto como esse, as economias européias não teriam o que temer das economias que emergiriam livres de impostos, pois, ao passarem por cima dos entraves sobre as propriedades, sobrecarregando tributariamente o trabalho, diminuíram os custos da moradia e da dívida. Estas economias foram envenenadas desde o começo da implantação dessa agenda. Isto é o que tanto “mercado livre” e “abertura aos negócios” fizeram-lhes, desde o ponto de vista da ortodoxia econômica atual.
Quando os governos perderam a capacidade de taxar os bens imóveis e outras propriedades – inclusive para impor uma tributação progressiva sobre os negócios financeiros mais vultosos – se viram obrigados a fixar taxas impositivas ao trabalho e à produção industrial. Esta filosofia de deslocamento da carga fiscal aumentou de forma súbita o preço do trabalho e do capital, fazendo com que a indústria e a agricultura das economias neoliberalizadas fossem tão caras, como que para não poderem competir com a “velha Europa”. Deste modo, as economias pós-soviéticas se converteram em zonas de exportação para as indústrias e serviços bancários da velha Europa.
A Europa ocidental se desenvolveu através da proteção de sua indústria e de seu trabalho, gravando as rendas da terra e outros lucros que não tinham contrapartida num necessário custo de produção. As economias pós-soviéticas “liberaram” este lucro para que acabassem na forma de pagamento aos bancos da Europa ocidental. Essas economias – que não suportavam dívidas em 1991 – começaram a se endividar em moeda forte estrangeira. Os créditos dos bancos ocidentais não foram utilizados para melhorar o investimento de capital, o investimento público e os níveis de vida. O grosso dos créditos foi concedido fundamentalmente com a garantia de ativos existentes, herdados do período soviético. Mesmo tendo havido um forte crescimento de novas construções de bens imóveis, a maior parte delas têm hoje um valor inferior ao inicial. E os bancos estão exigindo que a Letônia e os demais países bálticos paguem ainda mais, expremendo o lucro mediante subsequentes “reformas” neoliberais que ameaçam cobrar ainda mais do trabalho, enquanto suas economias se contraem e a pobreza aumenta.
O padrão que consiste numa cleptocracia instalada nas altas esferas e numa força de trabalho endividada – com índices de sindicalização muito baixos ou nulos, e escassa proteção no lugar do trabalho – tem sido aplaudido como um modelo propiciador da criatividade econômica que deveria ser emulado em todo o mundo. Como as economias pós-soviéticas estavam claramente “subdesenvolvidas”, londe de poderem produzir bens com um alto valor agregado, elas eram geralmente incapazes de competir em igualdade de condições com seus vizinhos ocidentais.
O resultado tem sido um experimento econômico sob todos os aspectos enlouquecido, uma distopia cujas vítimas agora são apontadas como culpados. A ideologia neoliberal da erosão sistemática e em grande escala –aparentemente a ponto de ser aplicada na Europa e na América do Norte mediante uma retórica igualmente otimista – produziu resultados economicamente tão devastadores que é equiparável ao que teria ocorrido se estes países tivessem sido militarmente invadidos. Então, chegou o momento de começarmos a nos preocupar seriamente se o que está se passando nos países bálticos pode ser tomado com um ensaio geral do que estamos a ponto de ver nos EUA.
Hoje, nos países bálticos, a palabra “reforma” tem uma conotação negativa, como ocorre na Rússia. Significa o regresso da dependência feudal. Porém, enquanto os senhores feudais da Suécia e Alemanha exerciam poder sobre os servos com base no poder que a propriedade da terra lhes outorgava, hoje controlam os países bálticos mediante créditos hipotecários concedidos em moeda estrangeira, que estão avaliados com base nos bens imóveis de toda a região.
A escravidão por dívida substituiu a servidão completa. A quantidade de hipotecas excede o valor de mercado dos bens, que se desvalorizou entre 50 a 70% no último (dependendo do tipo de imóvel), e também supera a capacidade de os proprietários dos imóveis honrarem seus compromissos. O volume da dívida nominal em moeda estrangeira também supera em muito o que esses países podem arrecadar mediante a exportação dos produtos de seu tabalho, indústria e agricultura, para a Europa (que deseja apenas realizar importações) e para outras regiões do mundo onde os governos democráticos estão comprometidos com a proteção de sua força laboral, em não vendê-la e submetê-la a programas de austeridade sem precedentes (tudo em nome dos “mercados livres”).
Passaram-se duas décadas desde a introdução da ordem neoliberal, e os resultados não podem ser mais desastrosos, podendo-se considerar um crime contra a humanidade. Não houve crescimento econômico. Os ativos soviéticos estão gravados com dívida. Não foi assim que a Europa ocidental se desenvolveu depois da Segunda Guerra Mundial, e anteriormente, inclusive (ou a China mais recentemente). Estes países seguiram o esquema clássico de proteção da indústria doméstica, gasto em infraestrutura pública, impostos progressivos e proibições legais contra o tráfico de influências e o saque ao erário, tudo o que constitui anátema à ideologia do mercado livre.
O que se evidenciou de forma escancarada foram os pressupostos subjacentes da ordem econômica mundial. No centro da crise atual da teoria econômica e da política econômica as premissas esquecidas e os conceitos da economia política clássica adquirem interesse. George Soros, Stiglitz e outros falam de uma economia global de cassino (na qual certamente Soros enriqueceu jogando), tendo a economia financeira se desgarrado do processo de criação de riqueza. O setor financeiro é cada vez mais preeminente, com uma capacidade crescente de retirar recursos da economia real de bens e serviços.
Esta era a preocupação dos economistas clássicos quando se concentraram no problema dos rentistas, proprietários de bens com privilégios especiais e cujos lucros (que não tinham contrapartida de custo produtivo algum) constituíam, de fato, um imposto sobre a economia (neste caso sobrecarrengando-a de dívidas). Os economistas clássicos se deram conta da necessidade de subordinar as finanças às necessidades da economia real. Esta foi a filosofia que orientou a regulação bancária nos Estados Unidos na década de 1930, e foi a que se seguiu na Europa ocidental e no Japão, da década de 50 à de 70, para promover o investimento produtivo. Em vez de estabelecer controles rígidos sobre os poderes especulativos do setor financeiro, os EUA eliminaram essas regulações na década de 80. Enquanto em 1982 os lucros líquidos da banca eram de menos de 5% do total, em 2007 chegaram a insólitos 41%. Com efeito, essa atividade de soma zero constituiu-se num “imposto” indireto sobre a economia.
Junto à reestruturação financeira, o outro aspecto importante do jogo de ferramentas clássico era a política fiscal. O objetivo era retribuir o trabalho e criar riqueza, e recolher os lucros resultantes (“free lunch”) das economias sociais “externas”, como base impositiva natural. Esta política fiscal tinha a virtude de reduzir os encargos sobre a receita (salários e aposentadorias). Entendia-se que a terra era um bem natural sem custo laboral de produção (e por isso sem valor de custo). Porém, em vez de convertê-la na base impositiva natural, os governos permitiram que os bancos a sobrecarreguem com dívidas, transformando o aumento do valor da renda da terra em juros a pagar. Na terminologia clássica, o resultado é um imposto financeiro sobre a sociedade (um lucro que se supunha que a sociedade recolhia como um imposto básico, para reverter em infraestrutura econômica e social, com o objetivo de enriquecer o conjunto dessa sociedade). A alternativa tem sido fixar impostos sobre a terra e sobre o capital produtivo. E, aquilo a que se renunciou em tributos, agora os bancos cobram em forma de preços mais altos da propriedade rural – um preço pelo qual os compradores pagam um tipo de juros hipotecário.
A economia clássica poderia ter previsto os problemas da Letônia. Sem quaisquer freios sobre as finanças, sem regulação dos preços monopólicos, sem proteção industrial, com a privatização do espaço público para criar “economias com sistemas de pedágio” e com uma política fiscal que empobrece os trabalhadores e ao capital industrial, ao passo que recompensa os especuladores, a economia da Letônia viu apenas um tipo de crescimento econômico. O que se conseguiu – e que imediatamente foi aplaudido com entusiasmo pelos países ocidentais – foi uma atitude favorável para anotar dívidas enormes a subsidiar seu desastre econômico.
A Letônia tem muito pouca indústria, uma agricultura muito pouco modernizada, mas pode ostentar mais de 9 bilhões de lati em dívida privada, uma dívida que hoje corre o risco de passar a figurar nos balanços de pagamento público da mesma maneira como ocorreu com o resgate dos bancos dos EUA.
Caso esse crédito tivesse sido empregado com fins produtivos, para levantar a economia do país, poderia ser aceitável. Mas foi basicamente improdutivo, contribuiu para exacerbar a inflação de preços da terra e o consumo suntuoso, reduzindo a Letônia a um Estado próximo da escravidão por dívidas; algo que Sarah Palin chamaria de uma “hopey-change-thing” [pejorativamente, proposta irrealista carregada de boas intenções, a partir do slogan “hope and change” da campanha de Barack Obama], o Banco da Letônia sugere que o momento mais grave da crise já passou. Finalmente, as exportações começaram a aumentar, mas a economia ainda passa por uma situação desesperadora. Se a tendência atual persistir, não haverá novos letões para herdar recuperação econômica alguma. O desemprego se mantém acima de 22%. Dezenas de milhares de cidadãos estão abandonando o país, e outras dezenas de milhares decidiram não ter filhos. É uma resposta natural ao afundamento do país sob uma dívida pública e privada de bilhões de lati.
A Letônia nao está no caminho certo para alcançar níveis de riqueza ocidentais e nao tem escapatória se continuar na sua atual política fiscal neoliberal regressiva, contrária aos trabalhadores, à indústria e à agricultura, que foi imposta de forma tão coercitiva desde Bruxelas, como condição para o resgate do Banco Central da Letônia, com o objetivo de que este possa pagar aos bancos suecos que concederam esse tipo de crédito improdutivo e parasitário.
Albert Einstein disse que “[é] uma loucura fazer duas coisas de novo esperando resultados distintos”. A Letônia aplicou uma vez e repetiu durante quase 20 anos o mesmo Consenso de Washington “pro-ocidental”, com resulatdos cada vez piores, que no fim das contas tem sido catastróficos para o setor público, para os trabalhadores, a indústria e a agricultura. A tarefa fundamental neste momento consiste em liberar a economia letã de seu caminho neoliberal que marcha para uma neo-servidão. Poderíamos pensar que o caminho escolhido pela economia letã pode ser traçado pelos economistas clássicos do século XIX, que conduziu à prosperidade que podemos ver nos países ocidentais e também atualmente no leste asiático. Mas isso requereria uma mudança na filosofia econômica, que levaria a uma mudança profunda na articulação do setor público e do governo.
A questão é como a Europa e os países ocidentais responderão. Admitirão seu erro ou não sentirão vergonha alguma? Os sinais atuais não são alentadores. Os ocidentais pensam que o trabalho não empobreceu o suficiente, a indústria não está suficientemente devastada e o paciente econômico ainda não sangrou suficientemente.
Se esta é a mensagem que Washington e Bruxelas estão lançando aos países bálticos, imaginem o que estão a ponto de fazer às pessoas de seus próprios países”
Michael Hudson trabalhou como economista em Wall Street e atualmente é Distinguished Professor en la University of Misoury, na cidade do Kansas, e presidente do Institute for the Study of Long-Term Economic Trends (ISLET). É autor de vários livros, entre eles, destacam-se:: Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire (nueva ed., Pluto Press, 2003) y Trade, Development and Foreign Debt: How Trade and Development Concentrate Economic Power in the Hands of Dominant Nations (ISLET, 2009). Jeffrey Sommers é co-diretor do Baltic Research Group en el ISLET e professor visitante na Stockholm School of Economics, em Riga.
Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Agência Carta Maior – http://www.agenciacartamaior.com.br

Venezuela rebate acusações da Espanha de colaborar com ETA

Chávez aponta que as acusações fazem parte de um ataque internacional contra seu país, como parte de uma campanha orquestrada pelos EUA

da Redação Brasil de Fato
O embaixador da Venezuela na Espanha, Isaías Rodríguez, negou nesta terça-feira (02) as acusações feitas pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, contra o governo do presidente Hugo Chávez. Segundo Zapatero, investigações da Justiça da Espanha indicam que Chávez coopera com ações do grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade) e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
“Negamos categoricamente a alegada cooperação da Venezuela em ações que têm relações com o terrorismo. Somos uma nação pacífica. Nós temos um processo absolutamente democrático, socialista e humanista. Estamos longe de qualquer ação que possa envolver atos terroristas”, afirmou Rodríguez.
O embaixador reiterou que não há provas contra o governo venezuelano. Ele assinalou que as acusações estão baseadas em elementos muito frágeis, como o fato de haver informações corretas no computador que, supostamente, seria do integrante Farc, Raúl Reyes, morto em 2008 durante um bombardeio colombiano a um acampamento da organização no Equador.
Para Rodríguez, é estranho que o computador, encontrado pelo Exército colombiano depois do ataque, tenha permanecido intacto durante uma ação onde morreram várias pessoas e foram destruídos a maioria dos objetos.
“Não é de se admirar que [as informações] podem ter sido manipuladas e que, na melhor das hipóteses, se o computador foi mantido em bom estado, não correspondem ao que efetivamente existiu”, disse o diplomata.
Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores da Venezuela considera "inaceitáveis e tendenciosas" a acusação e a cobrança de explicações da Espanha ao governo de Chávez. Zapatero pediu explicações oficiais ao governo da Venezuela, uma vez que as investigações que levantam as suspeitas foram realizadas pela Justiça da Espanha.
Para o presidente Hugo Chávez, as acusações remetem aos tempos em que seu país era colônia da Espanha. "Esses são tristes restos de antigas cadeias que alguns querem voltar a colocar no pescoço, mas nós somos livres", enfatizou.
Chávez ressaltou ainda que as acusações fazem parte de um ataque internacional contra seu país, como parte de uma campanha orquestrada pelos Estados Unidos. Apesar disso, o mandatário afirma que não há pressão internacional que incomode seu governo. “Respondemos com alegria, com fervor patriótico e de unidade. Eles [estadunidenses] não nos imporão regras. Nós representamos milhões”, afirmou o presidente.

(Com informações de agências)

ESTRATÉGIA DE VACINAÇÃO CONTRA O VÍRUS INFLUENZA PANDÊMICA (H1N1) 2009

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MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE

DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

 

ESTRATÉGIA DE VACINAÇÃO CONTRA O VÍRUS INFLUENZA PANDÊMICA (H1N1) 2009

INFORMAÇÕES BÁSICA – PERGUNTAS E RESPOSTAS

 

1) O que é influenza A (H1N1)?
É uma doença respiratória aguda , causada pelo vírus pandêmico (H1N1) 2009. Este novo subtipo do vírus da influenza, do mesmo modo que os demais, e é transmitido de pessoa a pessoa, principalmente por meio da tosse ou espirro e do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.

2) O que significa H1N1?
As letras correspondem às duas proteínas da superficie do vírus: H:
Hemaglobulina e N: Neuraminidase . O numero 1 corresponde a ordem em que cada uma das proteínas foi registrada, significando que ambas as proteínas tem semelhanças com os componentes do vírus que já circulou anteriormente, quando da pandemia de 1918-1919.

3) Qual a diferença entre a gripe comum e a influenza pandêmica (H1N1) 2009?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus influenza. Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Por isso, ao apresentar estes sintomas, seja pela gripe comum ou pela nova gripe, deve-se procurar seu médico ou um posto de saúde.

4) Esse vírus influenza pandêmico (H1N1) 2009 é mais violento e mata mais do que o vírus da gripe comum?

Até o momento, o comportamento da nova gripe se assemelha ao da gripe comum. Ou seja, o vírus pandêmico (H1N1) 2009 não se apresentou mais violento ou mortal, na população geral. A maioria absoluta das pessoas que adoece, seja pela gripe comum, seja pela gripe pandêmica, desenvolvem formas leves da doença e se recuperam, mesmo sem uso de medicamentos. Para ambas as gripes pessoas com doenças crônica, gestantes e crianças menores de dois anos são mais vulneráveis. Mas quando consideramos a população jovem previamente saudável, este vírus pandêmico tem um maior potencial de causar doença grave, quando comparado com o vírus da gripe comum. Por outro lado, o vírus pandêmico tem acometido menos as pessoas maiores de 60 anos. Mas ainda são necessários estudos mais aprofundados que estão sendo realizados, em todo o mundo, para esclarecer o comportamento do novo vírus.

5) Qual vacina será utilizada contra o vírus influenza pandêmica (H1N1) 2009?

O Ministério da Saúde adquiriu as doses de três laboratórios: Glaxo Smith Kline (GSK), SANOFI Pasteur (em parceria como Instituto Butantan) e Novartis. Esses laboratórios são fornecedores de vacinas para todos os países.

6) Se o processo de desenvolvimento de uma vacina costuma ser longo, como foi possível produzir a vacina pandêmica tão rapidamente?

Os laboratórios já tinham experiência com a produção da vacina contra os vírus de influenza sazonal (vacina administrada anualmente nos idosos no Brasil), e estes investiram em tecnologia num processo de preparação para a produção de uma vacina para a prevenção do vírus pandêmico (H1N1) 2009. O Brasil, por exemplo, fez investimentos na adequação do processo de produção pelo Instituto Butantan.

7) A vacina a ser utilizada no Brasil é segura?

A vacina a ser utilizada é segura e já está em uso em outros países. Não tem sido observada nesses paises uma relação entre o uso da vacina e a ocorrência de eventos adversos graves.

Ressalte-se, entretanto, que a garantia da vacinação segura está relacionada, também: (i) ao uso de seringas e agulhas apropriadas; (ii) à adoção de procedimentos seguros no manuseio, no preparo e na administração da vacina, conforme normas técnicas estabelecidas; (iii) à conservação da vacina na temperatura adequada, conforme preconizado; (iv) ao manejo e ao destino adequado dos resíduos da vacinação (seringas, agulhas etc.); e (v) à qualidade da capacitação do pessoal envolvido, bem como da supervisão ao trabalho de vacinação.

Além disso, considera-se como fundamental o monitoramento de eventos adversos associados temporalmente à vacinação, identificando-os, notificando-os, investigando-os e confirmando a sua real vinculação à vacina contra a influenza pandêmica.

 A vacina a ser utilizada no Brasil é efetiva?

A vacina registra uma efetividade média maior que 95%. A resposta máxima de anticorpos se observa entre o 14º e o 21º dia após a vacinação.

9) Como a vacina é apresentada?

A vacina é acondicionada em frascos múltidoses, contendo 10 doses. Uma dose correspondendo a 0,5 ml.

a) A do Laboratório Sanofi Pasteur/Instituto Butantan é apresentada na forma de suspensão (líquido opalescente, transparente e incolor).

b) A do Laboratório GSK vem acondicionada em dois frascos (um com a suspensão (antígeno) e o outro com a emulsão (adjuvante) – líquido esbranquiçado homogêneo), sendo preparados momentos antes da administração.

c) A da Novartis é apresentada em frasco multidoses (10 ou 17 doses), na forma de suspensão.

10) O Brasil vai utilizar vacina inalável? Há diferenças entre a inalável e a injetável?

No momento não está previsto o uso de vacina inalável. A diferença entre uma e outra refere-se à forma de apresentação e de administração.

11) Então o Brasil vai utilizar somente vacina injetável?

Sim. A vacinação proposta utilizará a vacina injetável, administrada por via intramuscular, ou seja, com a introdução da solução dentro do tecido muscular.

12) Qual a quantidade de vacina adquirida pelo Ministério da Saúde?

O Ministério da Saúde adquiriu cerca de 113 milhões de doses, para administração da população em etapas distintas.

13) O que é adjuvante?

É uma substância (ou substâncias) imuno-estimulante que entra na composição de uma vacina.

14) Qual o custo da vacina?

O Ministério da Saúde está investindo recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão para a compra das vacinas.

 

15) Qual o objetivo da vacinação a ser realizada no Brasil?

O objetivo dessa operação de vacinação é: i) proteger alguns grupos de maior risco de desenvolver doença grave ou evoluir para morte durante a segunda onda da pandemia influenza H1N1; ii) garantir o funcionamento dos serviços para atendimento ininterrupto dos casos suspeitos ou confirmados da Influenza H1N1, por meio da vacinação dos trabalhadores de saúde.

16) Quais são os grupos de maior risco?

Até o momento estão definidos como grupos de maior risco:

a) a população indígena aldeada;

b) as gestantes;

c) pessoas portadoras de doenças crônicas;

d) crianças maiores de seis meses até os dois anos de idade e

e) a população de 20 a 39 anos.

17) Quais as evidências que levaram o Ministério da Saúde a selecionar esses grupos como os prioritários para a vacinação? São efetivamente os mais acometidos ou de maior risco?

a) Os trabalhadores da saúde envolvidos na resposta à pandemia necessitam ser protegidos para garantir o funcionamento dos serviços de saúde, ou seja, não se pode correr o risco de um possível colapso de atividade essencial, como pronto atendimento, vigilância em saúde, laboratório etc., porque o profissional foi atingido pela pandemia.

b) Entre as mulheres em idade fértil que apresentaram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza pandêmica, 22% eram gestantes.

c) Entre os casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1)2009, aproximadamente 35% apresentou alguma comorbidade. Dentre os que apresentaram uma ou mais comorbidades, o grupo de doenças respiratórias crônicas foi o mais frequente, com 24,4% dos registros, seguido de doenças cardiovasculares,e outras doenças crônicas.

d) Os indígenas são considerados grupo prioritário seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem.

e) As crianças menores de dois anos apresentaram a maior taxa de incidência de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.

f) os jovens entre 20 e 29 anos foram o grupo etário mais acometido, representando 24% do total de casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.

g) os adultos entre 30 e 39 anos foram o grupo etário mais acometido em relação a mortalidade, representando 22% do total dos óbitos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.

18) Por que não haverá vacinação de toda população?

a) A vacinação em massa para a contenção da pandemia não é o foco da estratégia estabelecida para o enfrentamento da segunda onda pandêmica em todo o mundo. Por um motivo simples, esta contenção não é mais possível em todo o mundo.

b) São objetivos primordiais para esta vacinação proteger os trabalhadores de saúde, de modo a manter o funcionamento dos serviços de saúde envolvidos na resposta à pandemia, e para alguns grupos selecionados reduzir o risco associado à pandemia de influenza de desenvolver doença grave e morrer.

c) Na vigência da pandemia no Brasil e em outros países, esses grupos foram evidenciados como os de maior risco de apresentarem complicações graves e mortes por infecção pelo vírus Influenza A H1N1 (2009), como já evidenciado acima.

e) Além disso, não há disponibilidade do produto em escala mundial em quantidade suficiente para atender a toda a população do mundo. E há, também, a limitação da capacidade de produção por parte dos laboratórios produtores, para entrega em tempo oportuno, ou seja, antes do inicio da segunda onda nos países do hemisfério sul.

19) Por que então estão sendo incluídos no público alvo da estratégia grupos de população saudável?

É que o Brasil decidiu ir mais além do que o recomendado pela OMS que era vacinar apenas os quatro grupos que apresentaram maior risco (trabalhadores de saúde, gestantes, população indígena e pessoas com doenças crônicas preexistentes).

Fundamentado em critérios epidemiológicos, descritos acima ( pergunta 17)  ampliou o público alvo, incluindo grupos de pessoas saudáveis.

Nas Américas, além do Brasil, apenas Estados Unidos e Canadá adotaram essa iniciativa, demonstrando assim, o esforço brasileiro em vacinar a maior quantidade de indivíduos com risco de desenvolver formas graves ou morrer por esta doença.

20) A vacinação acontecerá em que período? Onde?

A vacinação acontecerá no período de 8 de março a 21 de maio de 2010, perfazendo nove semanas de trabalho, e acontecerá ao mesmo tempo em todo território nacional.

21) Como será feita a vacinação?

Os grupos de maior risco, apontados na pergunta 6, serão vacinados em etapas. Serão quatro etapas envolvendo, em cada uma, um ou mais de um desses grupos, de acordo com o seguinte cronograma:

Etapas e grupos selecionados

Período de realização

 

1ª Etapa

8 a 19 de março

Trabalhador de saúde (1)

População indígena aldeada

2ª Etapa

22 de março a 2 de abril

Gestante em qualquer idade gestacional

Doentes crônicos

Crianças com idade entre seis meses a menor de dois anos

3ª Etapa

5 a 23 de abril

População de 20 a 29 anos

4ª Etapa

24 de abril a 7 de maio

População com mais de 60 anos com doenças crônicas

5ª Etapa

10 a 21 de maio

População de 30 a 39 anos

Fonte: CGPNI/DEVEP/SVS/MS

22) Por que vacinar os trabalhadores de saúde?

A vacinação dos trabalhadores de saúde tem como principal finalidade proteger esse grupo de modo a garantir o funcionamento dos serviços de saúde na eventualidade de uma segunda onda da pandemia, ou seja, com os profissionais protegidos não haverá risco de colapso no atendimento da população pela rede de serviços.

23) Quem são esses trabalhadores de saúde?

São aqueles que estão na rede de serviços prestando atendimento diretamente à população, ou seja, são aqueles que, em razão das suas funções, estão sob potencial risco de contrair a infecção pelo H1N1 no contato com possíveis suspeitos da doença.

Nesse sentido estão aí incluídos os trabalhadores da atenção básica (estratégia saúde da família e modelo tradicional), dos serviços de média e alta complexidade (pequeno, médio e grandeporte) e aqueles que atuam na vigilância epidemiológica, especialmente na investigação de casos e no laboratório, cuja ausência por ter contraído influenza poderia vir a comprometer o funcionamento do serviço e o atendimento à população.

24) Quando os trabalhadores de saúde serão vacinados?

A vacinação dos trabalhadores de saúde acontecerá nas duas primeiras semanas da operação, ou seja, no período de 8 a 19 de março.

25) Se a vacinação não vai cobrir 100% dos trabalhadores de saúde como será feita a seleção?

As equipes estaduais e municipais já realizaram o levantamento e a localização do grupo alvo da campanha e definiram a estratégia local para vacinar esse grupo.

É importante que todos os trabalhadores busquem informação nos seus serviços e na Secretaria Municipal ou na Secretaria Estadual de Saúde para tomar conhecimento sobre esses detalhes da vacinação.

26) Por que vacinar a população indígena aldeada?

A população indígena aldeada é sempre considerada como grupo prioritário na prevenção de qualquer doença respiratória. Os indígenas são considerados grupo prioritário seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem

A vacinação iniciará no dia 8 de março e irá até 19 de março, dentro de uma programação que já é rotina no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em articulação com a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e com o apoio de outras instituições, a exemplo da chamada ‘Operação Gota’ efetivada por intermédio de cooperação com o Comando da Aeronáutica – Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) – como estratégia para alcançar grupos que residem em locais de difícil acesso geográfico.

A vacinação será indiscriminada para a toda população aldeada, a partir dos seis meses de idade. As doses administradas a partir de 15 de fevereiro de 2010 na população indígena serão consideradas como ‘doses de campanha’ para fins de registro no sistema de informação.

27) Por que vacinar a gestante se não há indicação da vacinação deste grupo com a vacina da gripe comum (sazonal)?

a) Não há nenhuma contraindicação à vacinação de gestantes com a vacina utilizada contra a influenza sazonal (gripe comum), mas ela não é feita nas campanhas anuais pelo fato de se priorizar um grupo de maior risco que é a população de 60 anos e mais – e grupos específicos que se vacinam nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

b) As gestantes são consideradas como grupo de risco para a influenza pandêmica H1N1 (2009) Durante a pandemia dentre as mulheres em idade fértil que apresentaram a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em decorrência da influenza A H1N1, 22% eram gestantes.

28) Não há, portanto, risco para a gestante e para o feto? Não há risco de aborto?

a) Não há risco em vacinar grávidas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e de acordo com os padrões de segurança declarados pelos laboratórios produtores, a vacina contra o vírus influenza A H1N1 é segura para a gestante.

b) Não há, de outro modo, evidências de que a vacina possa causar dano ao feto ou afetar a capacidade reprodutiva, ou, também, sobre a ocorrência de aborto provocado pela vacina nos países em que esta foi administrada para o enfrentamento da pandemia.

29) A vacinação da grávida é feita em qualquer idade da gestação?

Sim, como será utilizada a vacina que não contém o adjuvante, essa vacina é indicada para qualquer idade gestacional. A vacina que contém o adjuvante só poderia ser administrada a partir do 2º trimestre da gravidez.

O Ministério da Saúde optou, então, por vacinar a gestante somente com a vacina sem adjuvante por dois motivos: (1) para não atrapalhar a operacionalização da vacinação e (2) para evitar que qualquer intercorrência na gestação de mulher inadvertidamente vacinada antes do 2º trimestre da gravidez com a vacina que contém o adjuvante viesse a ser atribuída à vacina.

30) Por que as grávidas não podem tomar a vacina com adjuvante?

Por zelo, o Ministério da Saúde está orientando que a vacinação da gestante, a utilização de vacinas sem adjuvantes. Porém, a OMS/OPAS orienta a utilização de qualquer uma das vacinas: sem adjuvantes ou com adjuvantes; isso em função da experiência de outros países já estão vacinando desde novembro de 2009.

31) Quando será feita a vacinação da gestante?

A vacinação da gestante será realizada a partir do dia 22 de março e enquanto durar a vacinação (até 21 de maio), ou seja, serão sete semanas para mobilização da mulher grávida a buscar a sala de vacinação dos serviços de saúde. Depois desse período, as mulheres que engravidarem poderão se vacinar.

32) Por que vacinar portadores de doenças crônicas?

Na pandemia de 2009, dentre os casos de SRAG pelo vírus influenza H1N1 observou-se um alto percentual de pessoas com doenças crônicas. Os portadores de doenças respiratórias crônicas, por exemplo, foi o de maior freqüência com 24,4% dos registros, seguido das doenças cadiovasculares e outras doenças crônicas. Essas situações caracterizam pessoas que precisam de proteção por já se encontrarem em situação de vulnerabilidade, podendo apresentar quadros de maior gravidade e morte.

33) O que é comorbidade?

Comorbidade consiste na coexistência de doenças em uma mesma pessoa, ou seja, na existência concomitante de diferentes condições patológicas em um mesmo paciente. Em muitas situações a presença de determinadas patologias, especialmente crônicas, aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doença grave ou morte, quando a pessoa é acometida por outra doença.

34) Que situações serão consideradas para caracterizar os portadores de doença crônica?

Até o momento estão incluídos nesse segmento:

· Pessoas com grande obesidade (Grau III), incluídas atualmente nos seguintes parâmetros:

- crianças com idade igual ou maior que 10 anos com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 25;

- criança e adolescente com idade maior de 10 anos e menor de 18 anos com IMC igual ou maior que 35;

- adolescentes e adultos com idade igual ou maior que 18 anos, com IMC maior de 40;

· Indivíduos com doença respiratória crônica desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar);

· Indivíduos asmáticos (portadores das formas graves, conforme definições do protocolo da Sociedade Brasileira de Pneumologia;

· Indivíduos com doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular)

· Pessoas com imunodepressão por uso de medicação ou relacionada às doenças crônicas;

· Pessoas com diabetes;

· Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias crônicas com insuficiência respiratória crônica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses);

· Pessoas com doença hepática: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral;

· Pessoas com doença renal: insuficiência renal crônica, principalmente em doentes em diálise;

· Pessoas com doença hematológica: hemoglobinopatias;

· Pessoas com terapêutica contínua com salicilatos, especialmente indivíduos com idade igual ou menor que 18 anos (ex: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);

· Pessoas portadoras da síndrome clínica de insuficiência cardíaca;

· Pessoas portadoras de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica:

- Hipertensão arterial pulmonar;

- Valvulopatias;

· Pessoas com cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular (fração de ejeção do ventrículo esquerdo [FEVE] menor do que 0.40);

· Pessoa com cardiopatia hipertensiva com disfunção ventricular [FEVE] menor do que 0.40;

· Pessoa com cardiopatias congênitas cianóticas;

· Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas, não corrigidas cirurgicamente ou por intervenção percutânea;

· Pessoas com miocardiopatias (Dilatada, Hipertrófica ou Restritiva);

· Pessoas com pericardiopatias.

·

 

35) Qual a base para definir essas situações como prioritárias para a vacinação?

A definição dos grupos prioritários, como já referido, tomou como base a situação epidemiológica e recomendações da OMS e da OPAS.

De modo mais específico, em relação à seleção dos estados crônicos, o Ministério da Saúde ouviu representações de sociedades científicas e profissionais, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, as sociedades brasileiras de Cardiologia, de Endocrinologia e Metabologia, de Imunizações, de Pediatria, de Pneumologia e Tisiologia, núcleos de educação e saúde coletiva, bem como as instituições que têm assento no Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (CTAI).

 

36) Os idosos (população com mais de 60 anos) portadores de agravos crônicos estão incluídos nesse grupo?

Os idosos (pessoas com mais de 60 anos) portadores de algum desses agravos não serão vacinados neste momento e sim no período de 24 de abril a 7 de maio, durante a campanha anual de vacinação do idoso contra a influenza sazonal .

37) A vacinação de pessoas com doenças crônicas não apresenta risco de reações?

A vacina é segura e a possibilidade de ocorrer um evento adverso após a administração da vacina em pessoas com doença crônica é a mesma de qualquer outra pessoa.

38) Como as pessoas vão comprovar a sua condição de portador de doença crônica, de modo a justificar a vacinação? Como essas pessoas serão vacinadas?

De modo geral, os portadores dessas patologias já frequentam unidades de saúde ou serviços de referência, sendo acompanhados por profissionais de saúde.

Na organização da operação de vacinação as equipes de coordenação municipal e estadual deverão identificar esses serviços e articular estratégias de convocação ou de visita aos serviços ou instituições de referência, onde será possível localizar e vacinar a população comprovadamente portadora de comorbidade.

A comprovação da vacina administrada deve ser feita no documento de registro utilizado para o registro de outras vacinações (caderneta ou cartão).

 

39) Se mais de 90% dos casos de gripe vêm sendo causados pelo vírus pandêmico, por que manter a vacinação da gripe comum para idosos?

A influenza é causada por diversos tipos de vírus e os que provocam a gripe sazonal não deixaram de circular e provocar a doença, ainda que em 2009 essa circulação tenha sido bastante reduzida. A circulação do vírus da Influenza Pandêmica em 2009 e 2010 continua sendo predominante.

Como não é possível prever como ocorrerá a gripe sazonal em meados de 2010 é necessário continuar protegendo este grupo que é o mais vulnerável para esse tipo de gripe.

A gripe sazonal continua sendo importante causa de internação e de doença grave em idosos.

40) Por que as crianças com menos de seis meses não estão incluídas? Há contraindicação para vacinação desse grupo?

A vacina atualmente disponível não é recomendada para o grupo de menores de seis meses em razão de não haver estudos que demonstrem a qualidade da resposta imunológica, ou seja, a proteção não é garantida.

41)Como será feita a identificação dos vacinados durante a estratégia, de maneira a garantir a vacinação do grupo alvo?

a)Para alguns grupos alvo que têm como especificidade a faixa etária será solicitada a apresentação de documento de identificação que comprove a idade.

b) Para os portadores de doenças crônicas pré-existentes a adesão será de iniciativa do próprio portador da doença, não sendo indicada a exigência de atestado médico para não burocratizar o acesso à vacinação, confiando-se na busca consciente por parte dos que realmente necessitam. Sabe-se, ainda, que grande parte dos portadores de doenças crônicas recebe acompanhamento sistemático dos serviços de saúde.

c) No caso das gestantes também é esperada a adesão espontânea, confiando-se também na informação verbal da mulher, ou, de outra maneira, o encaminhamento a partir do pré-natal.

42) Quem teve a gripe pandêmica e teve confirmação laboratorial deve tomar a vacina?

a) Sim. Quando uma pessoa é infectada pelo vírus influenza A adquire imunidade para aquele subtipo específico de vírus que a infectou. Assim, quem já teve a gripe pandêmica comprovadamente (com diagnóstico laboratorial positivo) em princípio, está imune, embora haja registro de alguns casos que desenvolveram uma segunda infecção.

A duração da imunidade pode variar de pessoa para pessoa, mas, no caso desse vírus sofrer mutação um novo contágio poderá ocorrer.

b) Se a pessoa pertencer a um dos grupos prioritários deve ser vacinada, pois a maioria das pessoas que teve gripe nesse período não teve comprovação laboratorial.

43) Por que as unidades federadas mais atingidas durante a primeira onda não terão prioridade na vacinação?

Por uma questão operacional a estratégia de vacinação ocorrerá em etapas, considerando os grupos prioritários, mas acontecerá de forma simultânea em todo país.

44) Se a pessoa quiser pode optar por tomar a vacina em serviço privado, pagando por ela?

Pode sim. Não haverá impedimento, por parte do Ministério da Saúde, para o setor privado adquirir vacinas. O que pode ocorrer, nessa circunstância, é a limitação da disponibilidade do produto, que irá depender da capacidade de fornecimento pelos laboratórios produtores.

45) Qual a incidência de efeitos colaterais (eventos adversos) até agora?

A OMS estima que foram distribuídas cerca de 80 milhões de doses da vacina contra a influenza pandêmica e até o final de novembro foram vacinadas aproximadamente 65 milhões de pessoas. A grande maioria do que vem se apresentando se assemelha a vacina sazonal administrada em idosos, que são reações leves: dor local, febre baixa, dores musculares, que se resolvem em torno de 48 horas.

46)O governo se prepara para a possibilidade de fraude?

Esperamos que a linguagem da mídia de esclarecimento a população seja clara para que a mesma busque a vacina em lugares seguros e faça denúncias em caso dúvidas de sua procedência, distribuição e uso.

Em relação à possível fraude na produção de vacinas ou disponibilidade, o Governo Brasileiro dispõe de mecanismos para controle de qualidade de todas as vacinas por meio do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS). Há também, o controle por meio da ANVISA que assegura o registro dos produtos em oferta em nosso país.

47)A vacinação para Influenza A (H1N1) – 2009 será mantida para os próximos anos?

Como uma pandemia de influenza qualquer predição é ainda especulativa. o Brasil seguirá sempre as recomendações da OMS.

48) Como a vacina é acondicionada? Precisa de equipamento especial?

Todas as vacinas são acondicionadas em equipamentos de refrigeração (refrigeradores domésticas ou comerciais e câmaras frigoríficas) e em caixas térmicas.

A vacina contra influenza pandêmica deverá ser armazenada e acondicionada entre +2° e +8° C desde a Central Nacional de Armazenamento até o nível local, ou seja, utilizando os mesmos equipamentos para as demais vacinas.

49)A capacidade da rede de frio de imunobiológicos do Brasil é suficiente para estocar a vacina?

Esta vacina não terá necessidade de estocagem, pois terá utilização rápida. Portanto, as 36 mil salas de vacinas dos 5.565 municípios brasileiros possuem estrutura necessária para o armazenamento das vacinas de rotina e campanhas. Caso seja necessário o reforço de equipamentos, cada Estado suprirá as necessidades conforme plano elaborado e recursos distribuídos.

50) Quais são eventos adversos da vacina? Comparativamente a outras vacinas.

Os eventos adversos relatados pelo laboratório GSK:

a) Muito comum (cerca de 10% dos vacinados): dor no local da aplicação, cefaléia, dor articular, muscular e fadiga;

b) Comum: Náusea, diarréia, sudorese, hiperemia no local da aplicação, inchaço no local da aplicação e tremores;

c) Raros: Linfadenopatia, insônia, tontura, parestesia, vertigem, dispnéia, dor abdominal, vômitos, dispepsia, desconforto gástrico, prurido, erupção cutânea, dor nas costas, rigidez músculo esquelética, dor no pescoço, espasmos musculares, dor nas extremidades, reações no local de injeção (hematoma, induração, prurido e aumento de temperatura), astenia, dor no peito e mal estar.

51)Na hipótese de o vírus persistir durante muitos anos, eu vou precisar me reimunizar?

Se não houver mutação do vírus, não será necessária a revacinação.

52) Se eu me vacinar com vacina contra a gripe sazonal, não corro perigo de pegar a gripe suína em seu estado atual, já que a vacina da gripe normal não garante que eu nunca mais adoeça?

Se o indivíduo se vacinar com a vacina sazonal e estiver dentro do grupo prioritário deverá também se vacinar contra a vacina pandêmica.

Fonte: Ministério da Saúde

Mulheres … na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar

*Mulheres do campo e da cidade unidas na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar*

Publicamos a seguir O Manifesto das Mulheres Gaúchas, assinado pelas mulheres da Via Campesina, do MTD, da Intersindical e do coletivo de mulheres da UFRGS, e divulgado no dia de ontem, durante as manifestações realizadas pelo estado do Rio Grande de Sul, comemorando o dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

*Eis o manifesto.*

*O manifesto das gaúchas*

*Mulheres do campo e da cidade unidas na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar*

Neste mês em que se comemoram os 100 anos do 8 de março como dia internacional de luta das mulheres, nós trabalhadoras do campo e da cidade do Rio Grande do Sul estamos novamente nas ruas. Este ano nossa mobilização tem como principal objetivo denunciar para a sociedade que a maior parte da
comida que chega a mesa da população brasileira não é alimento, é veneno.

O Brasil é campeão mundial do uso de agrotóxicos, que são venenos muito perigosos usados na agricultura que provocam muitas doenças para produtoras/es e consumidoras/es e grandes impactos ambientais. Além disso, a maior parte dos produtos industriais que comemos é fabricada com soja transgênica que também causa muito mal à nossa saúde.

E quem come esta comida envenenada? Somos nós, pobres. São as mulheres e homens trabalhadores que recebem baixos salários ou estão desempregados e
escolhem os alimentos pelo preço não pela qualidade. São as pessoas sem terra, sem teto, que se alimentam graças às cestas básicas. Os ricos têm opção de comer produtos orgânicos, cultivados sem venenos.

Os agrotóxicos e os transgênicos não servem para matar a fome do povo, e sim para matar a fome de lucro das empresas do agronegócio, a maioria delas
multinacionais. Esses produtos envenenam as terras, as águas e principalmente as pessoas.

*Leite materno só é fonte de vida quando as mães comem alimentos saudáveis*

Nesta mobilização estamos amamentando esqueletos para denunciar a população em geral, e principalmente às mulheres, que quando comemos comida envenenada
e damos o peito aos nossos filhos ao invés de alimentarmos a vida transmitimos a morte.

As doenças causadas por agrotóxicos são transmitidas de geração para geração, e um dos modos de transmissão é através do leite materno. No
entanto, o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada para o povo
pobre, contaminando o leite da maioria das mães brasileiras.

*A gente não quer só comida*

Nós mulheres que passamos boa parte de nossas vidas envolvidas no cultivo e/ou no preparo da comida para garantir saúde à nossa família estamos nas
ruas para gritar em alto e bom som que gente não quer só comida, a gente quer alimento saudável, a gente quer soberania alimentar!
Para o agronegócio o lucro está acima da vida. O agronegócio faz mal a saúde do povo e do meio ambiente! E os governos estadual e federal que financiam o
agronegócio estão usando o dinheiro público para bancar o envenenamento da população pobre, a contaminação de nossas terras e águas.

*Estamos em luta contra

Contra o agronegócio, um modelo de produção agrícola que se sustenta na superexploração do trabalho das pessoas, na contaminação dos alimentos, na
destruição de nossas riquezas naturais. Lutamos contra o uso de recursos públicos para financiar a contaminação do povo e do meio ambiente; Estamos
em luta contra todas as formas de violência contra mulheres, incluindo a imposição de um padrão alimentar que não respeita os costumes alimentares e
causa muitos males à saúde.

Estamos em luta por *

*Soberania Alimentar* – com reforma agrária, com geração de emprego e vida digna para as populações camponesas, com agricultura ecológica que respeita
a diversidade de biomas e de hábitos alimentares. Os governos se dizem preocupados com a segurança alimentar, querem que as pessoas tenham várias
refeições por dia. Mas tão importante quanto a quantidade da comida é a qualidade do que comemos. Por isso não basta segurança alimentar, precisamos
construir a Soberania Alimentar.

*Mulheres da Via Campesina*, do *MTD*, da *Intersindical* e do *coletivo de
mulheres da UFRGS*.

Porto Alegre, março de 2010.

Tentemos ver Cuba sem fanatismos

Escrito por Duarte Pereira

05-Mar-2010 – Correio da Cidadania

Para mim, infelizmente, o lamentável e desnecessário falecimento do prisioneiro Orlando Zapata não está esclarecido. Sabemos, por nossas experiências durante a ditadura militar, que é fácil etiquetar oposicionistas e presos políticos como delinqüentes comuns, bandidos, terroristas, agentes de potências estrangeiras.

Será mesmo que Zapata recebeu o tratamento médico e POLÍTICO adequado? Será mesmo que não existe tortura em Cuba, nem prisões arbitrárias, nem condenações sem provas consistentes? Dizia-se o mesmo da União Soviética, da China e da Albânia, para citar alguns exemplos. Será preciso repetir que os fins não justificam quaisquer meios, e que, se os meios não são adequados aos fins, os resultados podem ser inversos aos pretendidos?

Por que, passadas tantas décadas da vitória da revolução popular e dos esforços para construir o socialismo, Cuba ainda precisa de métodos como os revelados no episódio para supostamente defender-se? Os revolucionários, especialmente os revolucionários socialistas e marxistas, devem ser exemplares no tratamento de prisioneiros.

É difícil saber o que realmente aconteceu com Zapata (e com outros) sem liberdade de informação e investigação, sem autonomia do Poder Judiciário, sem atuação desimpedida de advogados, para recordar algumas medidas democráticas. As razões para as dúvidas são várias. Em minha experiência política, nunca soube, de presos comuns, nem de agentes da CIA que tenham feito greves de fome até a morte. Também é uma novidade para mim que espiões freqüentem as embaixadas dos países a que servem abertamente.

Os verdadeiros espiões, que não podem faltar em Cuba, devem enrustir-se com muito mais cuidado e devem receber instruções e passar informações por meios muito mais sofisticados e eficazes. Não seria inusitado que, à semelhança do que aconteceu em outros países, alguns desses verdadeiros espiões estivessem infiltrados em órgãos do Partido Comunista, do governo popular e dos serviços repressivos.

Duas lições aprendi ao longo de anos de militância e estudo, e delas não abro mão. A primeira é que é impossível separar revolução democrática e revolução socialista, democracia e socialismo, pois não pode haver socialização efetiva da economia sem democratização da política e da cultura. E os trabalhadores precisam garantir sua emancipação não apenas do capitalismo, mas também do burocratismo que tem emergido das tentativas de construção de sociedades socialistas, com sua seqüela de novos privilégios, novas desigualdades e novas opressões.

A segunda lição é que a pior contribuição que podemos dar à causa democrática e socialista em nosso país e nos demais é continuar silenciando diante dos excessos, erros e crimes cometidos por regimes revolucionários – sejam proletários, populares ou simplesmente antiimperialistas.

Duarte Pereira é jornalista.

 

1. Escrito por Antonia Angulo

Tentemos ver Cuba sem fanatismos

Concordo com a questão principal colocada pelo jornalista Pereira. O cerne do debate é se era necessário que Cuba carregue com essa dúvida. Estive em nov. de 2009 em Havana num evento internacional, por primeira vez, gostei da cidade e das pessoas. Mas, percebi no evento que a sociedade civil não tem uma representação. O Estado fala por ela. Isto sem reconhecer os grandes avanços em saúde e educação, nos últimos anos com sérias dificuldades na saúde. É importante acompanhar as questões de direitos humanos não apenas em Cuba mas em toda América Latina.

2. Escrito por Alexandre Zourabichvili

O Senhor Pereira poderia, na sua busca da verdade, se interessar pelas fitas e gravações que mostram as conversas entre os médicos e a familia do preso comum O.Z.Tamayo. Nelas a mãe agradece os médicos pelos esforços en tentar salvar a vida do filho. Uma outra gravação interessante revela a conversa entre uma representante da máfia anticubana de Miami e um empregado dessa mafia baseado em Cuba. Este empregado presta contas e fala sem qualquer vergonha nenhuma de seus esforços pra convencer a mãe de O.Z.Tamayo em não ir ao hospital visitar o filho(pois a visita da mãe poderia dar vontade ao filho de viver e desistir da greve de fome). Ele diz que vai tentar de novo convencer a mão a organizar uma reunião de imprensa contra o governo de Cuba em lugar de ir visitar o filho, as duas coisas "sendo incompatíveis" segundo este sujeito. Está clara por essas gravações a manipulação dessa máfia branca pronta a manipular e sacrificar a vida de um negro pra fins de convencer Obama em não abandonar o bloqueio economico e político dos Estados Unidos contra Cuba. Essas gravações, claro, não foram divulgadas pela "grande" midia "democrática" brasileira. Vejam-nas no www.aporea.org  ou no www.granma.cu

Campanha contra o Tráfico de Pessoas na Copa de 2010 será lançada em maio

Tatiana Félix *

Joanesburgo – Adital –

 

tráfico de pessoas Em virtude da Copa do Mundo que vai acontecer em junho deste ano na África do Sul, foi realizado em Joanesburgo, capital do país, entre os dias 15 e 19 deste mês, um encontro entre redes de religiosas que atuam no enfrentamento ao tráfico de seres humanos no mundo. O objetivo foi a discussão de ações de prevenção ao tráfico, já que é alta a possibilidade deste crime acontecer em eventos esportivos mundiais.

Irmã Gabriella Bottani, integrante da articulação brasileira da Rede Um Grito pela Vida, disse que, na ocasião do encontro, as participantes decidiram como vai ser realizada a campanha que visa prevenir o tráfico durante a Copa na África. O foco das ações preventivas da campanha, segundo ela, deve ser na África do Sul e países vizinhos. A data para o lançamento oficial da campanha será o dia 6 de maio.

Ela explicou que, de modo geral, a campanha tem caráter preventivo e com as ações devendo ser direcionadas a, pelo menos, três públicos. A primeira intervenção será voltada aos jovens em grupos e escolas, e que se encontrem em situação de risco, nos países mais vulneráveis.

A segunda ação será focada nos potenciais traficantes involuntários, ou seja, aquelas pessoas que podem ser usadas inocentemente para servir ao tráfico. “Isso está acontecendo na África do Sul”, afirmou Gabriella.

Já a terceira intervenção deve ser direcionada aos torcedores de todas as partes do mundo que viajarão para a África a fim de assistir aos jogos da Copa. Irmã Gabriella ressaltou que, além dos torcedores poderem se envolver em situações possíveis de tráfico, há ainda ofertas de trabalho, onde as redes do crime organizado usariam a desculpa da Copa na África para aliciar e traficar pessoas.

Para prevenir os torcedores brasileiros a ficarem atentos e não caírem nas armadilhas do tráfico de pessoas, a coordenação da Rede Um Grito pela Vida vai se reunir em Brasília entre os dias 17 e 20 de março para desenvolver ações de prevenção e sensibilização. “Queremos aplicar aqui, no Brasil, as ações discutidas na África. Já fizemos uma carta para os torcedores, outra para as vítimas em potencial e uma carta também para os traficantes involuntários”, informou.

Irmã Gabriella disse que o trabalho de prevenção e alerta ao tráfico já está acontecendo na África, mesmo antes do lançamento da campanha. O motivo é a urgência em se enfrentar este crime na região, já que, segundo ela, atualmente, estão acontecendo muitos casos de tráfico envolvendo a África do Sul e a Tailândia. “Muitas meninas tailandesas são traficadas para a África do Sul. É muito fácil entrar lá”, alertou.

A facilidade de entrar no país e a realização da Copa é o que tem preocupado as entidades que lidam no combate ao tráfico de seres humanos. A África do Sul tem se mostrado um território de transição, conforme disse a religiosa.

“Com este encontro nós já conseguimos fortalecer os laços entre as redes e também entre a África do Sul e a Tailândia”, enfatizou. Ela lembrou que, na última Copa realizada na Alemanha em 2006, a ações de combate ao tráfico, executadas como uma primeira experiência foram bem sucedidas, já que houve um maior controle das pessoas que entravam no país.

Acompanhe o trabalho da Rede no blog: http://redeumgritopelavida.blogspot.com

* Jornalista da Adital

"A foto Zapatero iria dar fora a Obama" por aquilo que foi dito

Mas o brigadista de foto "foi não um afro-americana, foi um afrocubanismo"

Uma história inacabada

Michel Porcheron – Granma.CU

brigadista-4marzo

Todos começaram para.ComumFotosem permanente entre tantos outros o catalão Agustí Centelles, uma iniciativa relacionada com a visita, em Maio de 2010 filhos de Barack Obama à Espanha e uma ampla divulgação na web no final de 2009, resumidas em poucas palabra: fotorreportero

"A foto que Zapatero terpénicas Obama".

"Quando Obama visita a Espanha em 2010, José Luis Rodríguez Zapatero conhecê-lo com um inesperado presentes tanto por seu valor histórico sentimental como." Fará isso da parte dos irmãos Sergi e Octavi Centelles, em memória de seu pai. Os irmãos foram anos revelando a identidade deste jovem do Batalhão americano Abraham Lincoln, decidiu viajar para Barcelona como brigadista internacional para lutar ao lado da frente republicana. "Este jovens morreram na guerra durante a batalha de Brunete."

Ou uma foto de um jovem brigadista africano-americano durante a guerra na Espanha para outro rapaz African-American, primeiro Presidente dos EUA

A Moncloa aceitou a idéia, o projeto, mas, obviamente, sem qualquer inquérito sobre a imagem escolhida. Além disso, os filhos de Centelles agiram de boa fé.  

O autor da foto, pai de Centelles,Agusti Centelles (1909-1985), muitas vezes chamado "The Robert Capa espanhol", é um dos fotógrafos mais proeminentes da guerra civil, cujo arquivo foi adquirido recentemente pelo Ministério da cultura espanhol.

O Jornal Espanhol El País publicou 30 de Novembro de 2009, com a foto do African-American sem nome abaixo:

Pesquisas deste homem

Agustí Centelles crianças têm embarcou em um inquérito exclusivo: procure a identidade do Homem nesta imagem. Os jovens africanos americanos tinham atravessado o Atlântico para lutar por uma causa que não tinha nada a fazer: a permanência do Governo da segunda República. Era de 1938. Eles estavam em Barcelona. Pouco mais se sabe sobre este homem cujo retrato terminará nos próximos seis meses nas mãos do Presidente dos EUA, Barack Obama.

Os irmãos Octavi e Sergi Centelles já sabem quem deseja dar a imagem de um planeta favorito do Homem, mas agora preferem manter o mistério: "Ela será uma oferta institucional", dizer. Estão empolgados com o inquérito quase detetive lançado, arropados, entre outros, por um professor da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para revelar um dos riddles que engloba o trabalho do seu pai. "Podemos encontrar os descendentes deste brigadista, conheça sua história". "Acreditamos que foi no Alabama," tem Sergi Centelles.

Até ao momento, foram realizados com uma lista de 450 membros da Brigada de americanos que participaram na guerra civil. Uma delas é a imagem. Ele pertencia ao Batalhão de Lincoln, primeiro americanos armados força que integrados em preto e branco, em igualdade de condições. Basta chega ao Barcelona para participar na guerra civil espanhola, as brigadas internacionais do lado Republicano.

A maioria tinha inscrito para o partido comunista, que se tornou fortes laços com a Comunidade negra, convencidos no momento em que a batalha contra a opressão foi universal e orientado por eventualmente lutam contra o fascismo como resultado dos bombardeamentos da Etiópia por Mussolini em 1935. "Lutou em batalhas da Jarama, Brunete e o Ebro". "Aqueles que conseguiram retornar vivo para nós eram desprezados porque eles tinham sido lutam com comunistas ou morreram de doenças em Espanha", diz Sergi Centelles. Outros foram enterrados em Espanha. Na melhor das hipóteses, seu heroísmo correu despercebido e, na pior das hipóteses, foram molestado durante a bruxa hunts do Senador McCarthy como amigos perigosos da União Soviética. "Queremos recuperar sua história, divulgação, nos Estados Unidos e que conhece as fotos do nosso pai, explica Octavi Centelles. Portanto série de nove imagens do arquivo membros afro-americana Brigada Agustí Centelles deixar em breve tour pelos EUA e Espanha que ambos os países estão conscientes da história desses heróis esquecidos. Juntar os actos pelo centenário do nascimento do fotógrafo

El aspecto de la noticia que más atención internacional suscitó, comento el sitio Abraham-Lincoln Brigade Archivo,  fue la súplica de Sergi y Octavi Centelles, que imploraban al mundo ayudarles a identificar al hombre en la foto. El  20 de diciembre, Giles Tremlett, corresponsal de The Guardian, publicó un artículo sobre el tema que tuvo una amplia difusión por Internet. Tres días después, CNN y CNN Internacional, entrevistaron a James D. Fernández, miembro del Consejo de los Abraham Lincoln Brigade Archives (ALBA), ubicados en New York University. “La caza estaba abierta”, comentaba el sitio ALBA.

De fato, necessária para dar uma identidade para o lutador africano-americano. Investigação "Quase detetive" começou em Dezembro de 2009, parte de uma equipa de peritos liderada por Sebastian Faber, professor de estudos hispânicos e membro do Conselho de administração da (ABAL, ALBA in English) de arquivo de Abraham Lincoln Brigada e colega James D. Fernandez. 

Passou longas semanas nos arquivos da ABAL, fundada em 1979, procurando outras fotos onde parece o mesmo fighter African-American primeiro. A foto do Centelles foi tomada em 17 de Janeiro de 1937 em Barcelona. O primeiro navio dos combatentes Abraham Lincoln tinha partiu em Nova Iorque no final de Dezembro. "O Champlain, 6 de Janeiro" e Berengária em 20 de Janeiro.

Faber e Fernández descobrir uma foto de Champlain, deixando com um grupo de voluntários na placa aparentemente recolhida para despedida, navio de foto nenhuma assinatura. Em segundo plano, com camisa branca e gravata, com o PAC, é o Homem na primeira imagem. Faber e Fernández avaliada sua constatação. Não parece o primeiro homem de imagem, é o mesmo Homem, ainda sem nome. Na outra foto de Centelles, pertence à mesma série como o brigadista sem nome, preto detém dois ramos, um dos lados de um sinalizador é lido (errado, mas é leitura) primeiro século americano Batalhão, A.Lincoln, Antonio Guiteras Brigada internacional.

O século Antonio Guiterasnome do político e revolucionário cubano Antonio Guiteras (1906-1935), era, como se sabe, ou como deve saber, composta pelos cubanos. Então Faber e Fernández são fixados pelo preto Champlain voluntário é um cubano, Rodolfo de Armas Soto, chefe do século Guiteras. Chegou a classificação de Tenente Coronel e foi morto em ação na Batalha de Jarama. 

Assim, eles descobriram que o brigadista preta não era um voluntário EUA mas Cuba.

  “No tenemos dudas. Era un cubano exiliado, muy activo en los círculos izquierdistas de Nueva York y que salió de EE. UU. para integrar el núcleo cubano del Batallón Lincoln”, afirma el profesor Faber (El País, 1ero de marzo 2010). El diario español indica que “la pista definitiva la encontraron en el libro de otro brigadista, John Tisa, tituladoTisa, Recuerdo de la buena lucha: una autobiografía de la guerra civil española, escrito en 1985, y que incluía una foto en la que volvía a aparecer el brigadista negro, al que el autor llamaba “Cuba hermosa”. (Cuba hermosa es una expresión de una canción política de la época, titulada Lamento cubano).

"Temos sem dúvida"diz Faber. Mas, quem é, como é chamado, o nome e apelido é o cubano, membro voluntário do século Guiteras?   

E site de referência cubana de l Cubadebate.cu, foi reproduzida a quase totalidade do artigo El País (1º de Março) assinado por Natalia Junquera.

http://www.cubadebate.CU/Noticias/2010/03/01/El-brigadista-era-Cubano/

O site cubano publica uma caixa bastante detalhada sobre o século de Antonio Guiteras.

Jornalista espanhol termina seu artigo dizendo que a Faber e Fernández, "e""n a lista de embarque de Champlain têm eliminando nomes conhecidos e ficou com cinco: bem-vindo Domínguez, Faustino García, Juan Godoy, Ricardo Pérez e Ronaldo Rodriguez". Um deles é-lhe", alegação os dois especialistas. "Agora conclui Natalia Junquera, procurar novas faixas em Cuba para localizar fora se o brigadista sobreviveu a guerra, foi capaz de retornar ao seu país, se ele tivesse filhos…".

http://www.elpais.com/articulo/Cultura/brigadista/era/Cubano/elpepicul/20100301elpepicul_4/Tes

História e termina no momento (2 de Março). Com o titular do diário espanhol na seção de "Cultura":              

[ Galeria NATALIA XUNQUEIRA - Madrid - 01/03/2010]

                     [O brigadista foi cubano]

[o voluntário que aparece na foto Zapatero queria dar Obama navegou de Nova Iorque, mas não nasceu nos EUA - ainda ignorado seu nome]. 

Mas dúvidas existiam no final de Dezembro. O site alba-valb.org, 25 de Dezembro, publicou um texto em inglês, seguido de sua tradução para o inglês:

"EM BUSCA DA IDENTIDADE DE UM VOLUNTÁRIO INTERNACIONAL DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA"

QUEM É ESTE HOMEM?

A PESQUISA EM TODO O MUNDO PARA UM SOLDADO NÃO IDENTIFICADO DESDE A GUERRA CIVIL INGLESA

LIBERTAÇÃO IMEDIATA: 25 DE DECEMBER DE 2009

Contato de Media: Jeanne Houck (212-674-5398), jhouck@alba-valb.org

Versão em espanhol, aqui.

AMERICAN AFRICANA OU AFROCUBANISMO?

EM BUSCA DA IDENTIDADE DE UM VOLUNTÁRIO INTERNACIONAL DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA

25 DE DEZEMBRO DE 2009.

"How Could I ser cubano?" 

, Notextooriginal édisse: ""New York City – quem é o Homem sobre a 72 – fotografia de ano que o Governo espanhol pretende apresentar ao Presidente Obama este Maio? É um African-American, antifascist? "Fazer ou poderia ser cubano?"

http://www.Alba-valb.org/News-Events/Press-Releases

A partir de um simples "erro" – Zapatero foi dar Obama uma foto de um-(unfortunately the anomaly has been corrected before the official gift Act) de caça cubano, apareceram e continuará a receber temas pouco conhecidos ou silenced, como:

-A participação cubana durante a guerra na Espanha. Mais de mil voluntários lutaram com republicanos.

-O que poderia ser movido para um homem africano-americano para lutar como um voluntário numa guerra libertado ao lado do Oceano? Não é a foto (lamentável confusão), mas um facto histórico que "revela" a iniciativa do Centelles, crianças. ALBA estima que havia noventa voluntários africano-americanos entre os voluntários quase 3000.  De acordo com o site da ALBA, "a notícia apanhou de surpresa para grande parte da América pública". "Na verdade grande parte do público americano continua sem conhecer a história da participação norte-americana e latino-americanos na guerra espanhola."

-?Quem foi Antonio Guiteras mexicano Taibo II escolheu como uma personagem central em sua última Biografia narrativa? Após o e Pancho Villa.

-Cportanto, três mil homens e mulheres americanas entre 1936 e 1939 lutado como voluntários contra o fascismo na guerra civil espanhola.

-Essa história é uma excelente oportunidade para (re) ler o texto, entre outros, do cubano Nicolás Guillén (MIDI, 6-XII-1937) "Um player, capitão de ametralladores", "Basil Cueria, pai de origem asturiana e mãe preta". O mais conhecido lutador cubano preto chamado Isidro Diaz genér, Boxer profissional. Mas há muitos negros do contingente cubano (se for possível chamá-los de preto, porque também há alguns "mulattoes"). Uma fonte americana menciona os nomes das Tomas Collado e Domingo Gámiz Cabrera.   

2 De Março de 2010 (MP)

Orlando Zapata Tamayo, um caso de manipulação política

O Noticiário da Televisão Cubana mostrou, na emissão de maior audiência, de 1º de março, depoimentos dos médicos que atenderam a Orlando Zapata Tamayo, e da mãe, Reina Tamayo, que reconheceu o atendimento dado ao filho pela instituição sanitária. O Granma Internacional oferece a a tradução da transcrição dessa reportagem da jornalista Gladys Rubio.

Jornalista: "A morte do recluso Orlando Zapata Tamayo em 23 de fevereiro, no hospital "Hermanos Ameijeiras", de Havana, devida a mais de 80 dias de jejum voluntário, provocou críticas ao governo cubano por parte de algumas agências de notícias e certos governos, que acusam as autoridades da Ilha de não ter feito coisa alguma para salvar a vida dele.

Berta Antúnez Perne, membro do grupo contrarrevolucionário

: "Assassinaram um homem pouco a pouco".

Ramón Saúl Sánchez, cabecilha terrorista fixado nos EUA

: "Recebeu maus-tratos e eventualmente morreu, outro crime do regime de Cuba".

Jornalista

: "Adotou e foi instigado a tomar uma decisão que o levaria à morte: uma greve de fome, em troca de um fogão, telefone e televisão na cela. O jejum de Zapata Tamayo começou em 8 de dezembro de 2009 e morreu em 23 de fevereiro".

Dr. Gimel Sosa Martín, do Hospital Nacional de Internos

: "O paciente está tendo um conjunto de complicações próprias da inanição prolongada, por passar muito tempo sem ingerir alimento algum".

Jornalista

: "Fica demonstrado que um jejum prolongado deixa a ciência de mãos atadas".

Dr. Jesús Barreto Penié, mestre em nutrição clínica

: "Nesse caso, a gente pode manter o paciente mais ou menos bem alimentado aplicando técnicas de nutrição artificial, quer seja por via parenteral, mas isso não é suficiente para garantir a sobrevivência a longo prazo, ao não se utilizar a via do tubo digestivo, fundamentalmente, os intestinos delgado e grosso, que têm funções vitais que são precisamente garantidas pelo contato com os alimentos ingeridos.

Quando uma pessoa passa dias ou semanas sem alimentos, o intestino deixa de funcionar, e uma dessas funções é a imunológica. O intestino é o órgão imunológico mais importante e o que permite essa função imunológica é o contato com os alimentos, daí que provoque atrofia da mucosa intestinal, estreiteza do intestino, e inclusive, acaba assemelhando-se a quase um papel e aí aparecem as complicações, como hemorragias digestivas, perfurações nos intestinos, e o mais perigoso e mais sério, que pode ser a causa de morte de muitos pacientes, começam a proliferar as bactérias que coabitam no intestino delgado e, particularmente, no grosso, e a passar para o sangue, ocasionando múltiplas infecções, que matam o paciente."

Licenciada María Esther Hernández, chefa do Departamento de Psicologia do Ministério do Interior, na província de Camagüey

: "Explicamos-lhe quais as consequências de sua decisão e o perigo que corria sua vida. Explicamos-lhe outras maneiras de encontrar solução de sua situação, outras vias de comunicação e ele sempre teve a mesma conduta".

Dr. Dailé Burgos, intensivista do Hospital Nacional de Internos

: "Nesse centro se continuou o tratamento médico iniciado a Zapata no Hospital "Amalia Simone", de Camagüey. Este paciente esteve nas salas abertas e depois foi transferido para a unidade de cuidados progressivos e a de cuidados intensivos, pelo depauperamento ocasionado pelo seu jejum voluntário, que o levou à inanição, e posteriormente, para a nutrição artificial, parenteral, isto é, nutrição por via venosa, já que o paciente se recusou a ingerir alimentos. Neste hospital de Camagüey, deu-se acompanhamento de perto, inclusive com o apoio psicológico para adverti-lo do risco que corria sua vida com este jejum prolongado, e considero que, com certeza, foi bem acompanhado seu caso e bem tratado, até com remédios de última geração, quanto à alimentação e bem acompanhado pelas unidades de terapia desse centro".

Dr. Mariano Izquierdo, chefe dos Serviços Médicos DEP-CH:

"O paciente por decisão própria não quis alimentar-se. Quando isto acontece, o organismo começa a auto-agredir-se, isto é, a pessoa começa a consumir-se porque busca, a partir do seu próprio organismo, como resistir ante essa falta de alimento por via oral. Isso foi o que lhe aconteceu a Orlando, seu organismo começou a esgotar as proteínas, as gorduras, e depois de 47 ou 48 dias sem ingerir alimentos é muito difícil voltar a recuperar o paciente por via oral".

Jornalista:

"Nestas imagens aparece Reina Luisa Tamayo, mãe de Orlando Zapata, acompanhada dos oficiais durante as múltiplas visitas que realizou ao filho, no Hospital Nacional de Internos, onde foi atendido com todo o rigor médico. Segundo explicam os especialistas entre o time médico e a família de Zapata Tamayo estabeleceu-se um clima de cooperação".

Dr. Gimel Sosa Martín, do Hospital Nacional de Internos

: "Do início, a relação com a família sempre foi boa, uma relação afetuosa, amável, a família sempre cooperou conosco, com os médicos, não só do hospital, mas também com todos os médicos que colaboraram neste caso".

Imagem e voz de Reina Tamayo, mãe de Orlando Zapata, frente ao pessoal médico

: "Bom, muito obrigada… nós temos muita confiança… temos visto a preocupação e tudo o que estão fazendo para salvá-lo".

Jornalista

: "Esta é uma conversação telefônica entre Yaniset Rivero, membro da organização contrarrevolucionária Diretório Democrático Cubano, com sede em Miami, e o contrarrevolucionário Juan Carlos González Leyva, membro de um grupelho em Cuba. Na gravação torna-se evidente que a vida de Orlando Zapata não lhes preocupa, seu verdadeiro interesse não é que a mãe acompanhe o filho, senão que priorize a campanha para desacreditar o governo cubano":

JCGL: Minha mãe ensinou-me que um cachorro tem quatro patas e busca um só caminho.

YR: Quem lhe deu ordem ao senhor para que essa carta que eu lhe disse para…

JCGL: Sim, sim, mas ela já o viu ontem , o viu, e ela não vai curá-lo…ela ou decide a conferência coletiva ou decide ir a vê-lo, você compreende, ela tem que decidir.

YR: Não, mas por isso é necessário que você fale com ela.

JCGL: Eu vou vê-la esta tarde e vou-lhe falar claramente porque eu sou um camponês bruto: olha, ou você aceita a coletiva ou vai visitá-lo.

Jornalista:

"A campanha organizada contra o governo cubano tinha como objetivo acusar as autoridades da Ilha de não oferecer atendimento médico a Orlando Zapata. Por tal motivo, a contrarrevolução estava decidida a manipular qualquer prova do contrário e a ocultá-la. Por isso, as palavras da mãe de Orlando Zapata sobre o atendimento esmerado que seu filho estava recebendo jamais foram divulgadas. Essa verdade não era conveniente para a campanha de difamação contra Cuba".

Voz de Reina Luisa Tamayo

: "Vieram-nos buscar tarde para participar da reunião com os especialistas que vieram, para analisar a saúde de Zapata e nos explicaram que a situação era muito crítica, crítica, que estavam fazendo todo o possível para salvar Zapata, mas que cada dia se agudiza algo mais no seu organismo, já tinham até preparado um rim para colocá-lo caso que colapsasse, que eles estavam lutando mas a situação era crítica, crítica".

Jornalista:

"A seguir, outra prova de que Orlando Zapata recebeu atendimento médico".

Voz de Reina Luisa Tamayo

: "Pude ver os médicos que estavam ali antes de eu entrar , estavam os médicos do Centro de Pesquisas Médico-Cirúrgicas (Cimeq), os melhores médicos tentando salvá-lo…".

Jornalista

: "Com exeção de seus familiares e dos médicos, nenhum de seus aliados nas atividades políticas contra o governo de Cuba foi ao hospital para pedir a Orlando Zapata que abandonasse o jejum, ninguém lhe pediu que desistisse porque sua vida corria perigo, essas imagens não existem".

"No mar das Antilhas, uma ilha aparece forte e bela, com uma história de respeito pelos seres humanos, os de seu país e os do mundo todo. Não aceita chantagens nem mentiras. Sempre amando, mas com o punho prestes para defender a verdade e a vida".

(Vídeo disponível em www.granma.cu e www.CubaDebate.cu )

Marcha Mundial das Mulheres destaca os 100 anos do 8 de Março

Rogéria Araújo *

Adital –

Na próxima segunda-feira, países de todo o mundo celebrarão o centenário do 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres. A data, que faz referência à luta de operárias mortas durante incêndio numa fábrica nos Estados Unidos, perpassa os dias atuais com reivindicações antigas e outras atuais. Procurando espaços para exercer políticas, cidadanias e direitos, organizações e entidades conseguem se fazer presente, mas a luta é árdua.

A ADITAL conversou com Nalu Faria, coordenadora da Marcha Mundial de Mulheres, sobre os diversos aspectos que envolvem estes 100 anos do 8 de Março. Para este ano, a MMM convoca para a 3ª Ação Internacional, com debates e eventos em diversos países, tendo como eixo fundamental aprofundar as discussões em torno do direito das mulheres nas mais variadas esferas.

A atividade, na cidade brasileira de São Paulo, acontece na segunda (8), quando 3 mil mulheres de todas as regiões do país, farão uma caminhada percorrendo dez municípios do estado.

Mais informações sobre a programação em: www.sof.org.br/acao2010

Adital – Você acredita que há mais sensibilização para as questões de gênero?

Nalu Faria - Creio que essa sensibilização vem crescendo por vários motivos. Na América Latina e Caribe tivemos uma fortalecimento da visão crítica ao neoliberalismo e mesmo de uma visão anti-capitalista e isso melhora as condições para a luta feminista. Avaliamos que toda vez que há reforço do capitalismo reforça o machismo.

A existencia da MMM fortaleceu um campo popular do movimento de mulheres e uma de nossas estratégias de organização é construir alianças com os movimentos sociais e isso amplia nosso espaço de intervenção e construção de uma agenda política. Ao mesmo tempo outros setores do movimento de mulheres também estão mais ativos nessa década.

Adital -De muitas demandas ainda pendentes na América Latina, a criminalização do aborto segue como pauta de discussão. Houve algum avanço?

Nalu Faria - No tema do aborto tivemos mais dificuldades para contrapor a onda conservadora, pois as contradições que temos com os setores progressitas, de esquerda são enomes. Além de continuar muito difícil para grande parte das mulheres se posiconarem. E esse foi um dos temas que teve mais retrocesso a partir da segunda metade dos anos 90.

Mas acho que nos últimos anos cresceu a ofensiva por parte do movimento de mulheres inclusive com a constituição de articulações mais amplas. No Brasil criamos uma Frente Nacional pela Descriminalização e Legalização do Aborto. Mas é importante lembrar que foi em um momento de forte criminalização das mulheres, com o indiciamento de mulheres a partir de fichas de atendimento em uma clínica.

Um momento que ficou evidente que estávamos recuperando espaço foi no Fórum Social Mundial, em Belém [janeiro de 2009, no estado brasileiro do Pará]. Conseguimos ter boas atividades, mobilização, visibilidade e percebemos a sensibilização de outros setores. Eu ouvi, por exemplo, vários homens nos debates gerais falando sobre o tema do aborto.

Adital – Na medida em quem fica evidente que o modelo neoliberal não é o ideal, você acredita que as mulheres têm conseguindo pôr em prática suas propostas políticas e econômicas? De que forma?

Nalu Faria - Acho que temos alguns avanços na economia solidária, na construção de uma visão contra-hegemônica a partir das contribuições da economia feminista. E, principalmente, temos uma grande contribuição das camponesas, quilombolas e indigenas (da América Latina em geral), no tema da soberania alimentar e da economia camponesa e das práticas economicas tradicionais que resistem ao mercado capitalista.

É interessante lembrar que até poucos anos essas experiências eram desvalorizadas e classificadas como atrasadas e remanescentes, que seriam absorvidas pelo mercado. Hoje há todo um debate que na verdade é de construção de novos paradigmas. E em todos esses processos há uma forte presença e contribuição das mulheres.

Adital – Outro ponto importante acentuado com a crise financeira, mas que já vem se formando há algum tempo, é a feminização do processo migratório, sobretudo com mulheres latinas. Qual sua opinião sobre as incidências  política nessa área?

Nalu Faria - A migração na América Latina e Caribe e em muitos países se tornou uma importante fonte de entrada de divisas. E os dados mostram que as mulheres embora ganhem menos enviam valores maiores e mais constantes.

Me parece que essa realidade só vai modificar se houver mudanças significativas nas políticas econômicas e na questão do trabalho. Mas também tem que se intensificar o combate ao tráfico e a indústria da migração. Tem estudos que mostram que a maioria dos pobres que migram fizeram através de agências e dessa modalidade do endividamento.

Adital – Há muita expectativa para esta 3ª Ação Internacional, proposta pela Marcha Mundial das Mulheres. Como tem sido a receptividade do ato?

Nalu Faria – Tem sido muito boa. No Brasil teremos presença de vários setores que não participam do dia a dia da Marcha Mundial das Mulheres, mas que perceberam a importância dessa grande mobilização e estarão marchando.Também outras organizações como os sindicatos estão nos apoiando, inclusive materialmente.

Adital – Nesse próximo 8 de março, que celebra os 100 anos da declaração do Dia Internacional da Mulher, quais os valores que precisam ser melhor assimilados pelas populações?

Nalu Faria - Ainda temos que conquistar uma visão do conjunto do direito à autonomia e auto-determinação das mulheres, ou seja que sejamos vistas como sujeitos e não como inferiores ou em função da familia, maternidade e filhos. E isso tem que se expressar em mudanças concretas como, por exemplo, a superação da divisão sexual do trabalho que passa por mudanças no trabalho remunerado e na casa. Nós continuamos como quase as únicas a trabalhar na casa.

Passa pela superação das desigualdades salarias, profissionais e na produção rural. Passa pela construção de novas relações e novas organizações familares e um novo modelo de sexualidade. Além disso, passa por superar as enormes deigualdades nos espaços de poder e decisão.

Se conseguirmos tudo isso, creio que poderemos ver desaparecer o machismo, a violência contra as mulheres e poderemos estar mais perto da iguldade. Mas nós sabemos que isso só será possível no bojo de um processo geral de tranformação e de construção de novas relações sociais. Por isso que na Marcha falamos em mudar a vida das mulheres, para mudar o mundo para mudar a vida das mulheres.

Dia Internacional da Mulher: Qual a origem deste dia?

Por Lujan Miranda – Da Coordenação Nacional da Intersindical e da Direção Nacional do PSol

Sempre se ouve falar de que o 08 de Março surgiu como Dia Internacional da Mulher em homenagem às 129 operárias que teriam sido queimadas vivas pelos patrões, dentro de uma fábrica, durante uma greve em Nova Iorque, em 1857.

Mas, há mais de 40 anos há controvérsias acerca da origem do Dia Internacional da Mulher.

Em 1984 a pesquisadora canadense, Renée Côté, publicou um livro intitulado: O Dia Internacional da Mulher – Os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas.

Na França, o jornal nº 0, de 8 de março de 1977, História d´Elas, publicado em Paris, alerta para a mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857.

No Brasil, em 2003, a professora da Universidade Federal do Ceará, Dolores Farias, baseada na pesquisa de Renée Côté publicou um artigo nos jornais “O Povo” e “Brasil de Fato” que causou muita surpresa e indignação.

Além dos estudos de Renée Côté, existem outras publicações que vão na mesma linha, tais como: “8 de Março: Conquistas e Controvérsias” de Eva A. Blay, de 1999; “O Mito das Origens: sobre o Dia Internacional da Mulher”, de Liliane Kandel, de 1982; “8 de Março, Dia Internacional da Mulher: em busca da memória perdida”, da Sempreviva Organização Feminista (SOF), de 2000.

Durante 10 anos, a canadense Renée Côté pesquisou em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma referência à greve de 1857 nos jornais da grande imprensa nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias daquela época. Segundo a autora “essa greve nunca existiu. É um mito criado por causa da confusão com as greves de 1910; de 1911, nos EUA; e 1917, na Rússia”.

Coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), Vito Gianotti nos brindou com um trabalho muito interessante acerca do tema, intitulado “O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas”. Ele afirma que “essa confusão se deu por motivos históricos, políticos, ideológicos e psicológicos” e que o que houve foi uma mistura desta greve fictícia de 1857 com uma greve real que começou em 20 de novembro de 1909. Segundo ele, Renée Cote em seu livro, “prova por a+b, ao longo de 240 páginas, que as certezas criadas nos anos de 1960, 70 e 80 pelos movimentos feministas, a respeito do surgimento do 8 de Março, são pura ficção. Ela derruba um mito caro às mulheres feministas, que tanto penaram para afirmar esta data”.

Para ele “o livro acabou caindo no esquecimento porque é mais fácil aceitar versões já consolidadas de histórias, caras às nossas vidas, do que questionar mitos estabelecidos”. E vai além, afirma que outro fator determinante para que o livro da autora canadense caísse no limbo foi o fato dela deixar “transparecer, o tempo todo, sua visão favorável à autonomia dos movimentos sociais frente aos partidos e mostra uma prevenção à própria idéia de partido político”. Gianotti afirma que “o livro se insere no grande leito de luta autonomista, típica dos movimentos de esquerda dos anos 70. Isto cria uma animosidade com muitos setores da esquerda mais influente, que poderiam divulgar sua obra”. E diz que a questão-chave é “ ver por quê, no mundo bipolar da Guerra Fria dos anos 60 do século passado, os dois blocos em disputa aceitaram a versão de uma greve de mulheres, em 1857, nos EUA, e esqueceram uma outra greve de mulheres, em 1917, na Rússia”. E conclui: “Os motivos são mais políticos que psicológicos”.

Ele descreve muito bem o clima vivido nos anos 60, 70 e 80. Fala do surgimento do Dia Internacional das Mulheres Socialistas e diz acerca do 08 de março: “a partir de 1980, o mundo todo contará esta história acreditando ser verdadeira. Aparecerá até um pano de cor lilás, que as mulheres estariam tecendo antes da greve. Daquela greve que não existiu. A mitologia nasce assim. Cada contador acrescenta um pouquinho. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, diz nosso ditado”. E questiona, “Por que não vermelho? Porque vermelhas eram as bandeiras das mulheres da Internacional. Vermelhas eram as bandeiras de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai, delegadas dos seus partidos, à 1ª Conferência das Mulheres Socialistas, em 1907; e da 2ª, na Dinamarca, em 1910. Nesta última foi decidido que as delegadas, nos seus países, deveriam comemorar o Dia da Mulher Socialista”.

Para corroborar suas afirmações, Gianotti fala acerca da comemoração do Dia da Mulher no Mundo…

Europa - A Primeira comemoração do Dia Socialista das Mulheres na Europa, aconteceu em 19 de março de 1911, proposto por Alexandra Kollontai, “para lembrar um levante de mulheres proletárias, na Prússia, em 19 de março de 1848. Nesse dia, escreveu Kollontai, as mulheres conseguiram do rei da Prússia a promessa, depois não cumprida, de obter direito de voto”.

EUA – a tradição era realizar o Dia da Mulher no último domingo de fevereiro, como ocorreu em 1911, 1912 e 1913. Em 1914, seguindo a indicação de Kollontai, foi comemorado em 19 de março.

Suécia e Itália – a primeira comemoração foi em 1º de março de 1911.

França e Alemanha – a primeira comemoração do Dia da Mulher foi no dia 09 de março de 1914.

“Em 1914, pela primeira vez, na Alemanha, Clara Zetkin e as mulheres socialistas marcam data do Dia da Mulher para 8 de março. Não se explicou o porquê dessa data, pois não precisava. Era um detalhe sem interesse. A data era totalmente indiferente. Tinha que ser qualquer dia. Importante era a realização do dia”.

Rússia – devido à opressão do czar, o primeiro Dia da Mulher só foi comemorado em 3 de março de 1913. Em 1914 não houve comemoração, pois todas as organizadoras do Dia da Mulher foram presas.

Em 1917, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo, que no calendário ocidental correspondia ao dia 8 de Março. Nesse dia explodiu a greve espontânea das tecelãs e costureiras de Petrogrado que, contrariando a decisão do Partido, saíram às ruas em manifestação por pão e paz. “Foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro”. Leon Trotsky e Alexandra Kollontai, membros do Comitê Central do Partido Operário Socialdemocrata Russo, escreveram: "O dia das operárias, 8 de Março, foi uma data memorável na história. Nesse dia as mulheres russas levantaram a tocha da revolução."

“Em 1921, realizou-se, em Moscou, na URSS, a Conferência das Mulheres Comunistas que adota o dia 8 de Março como data unificada do Dia Internacional das Operárias. A partir dessa Conferência, a 3ª Internacional, recém-criada, espalhará a data 8 de Março como data das comemorações da luta das mulheres”.

Gianotti refere-se ao 08 de março como um dia esquecido e depois reinventado e diz: nos primeiros anos da Rússia comunista, o dia 8 de Março era comemorado todo ano, como o Dia Internacional da Mulher Comunista. Mas, aos poucos, foi se “perdendo o interesse e o adjetivo comunista foi caindo à medida que o ímpeto revolucionário da União Soviética começou a se arrefecer”. No final da década de 20 e nos anos 30, “o Dia Internacional da Mulher, seja comunista ou socialista, se perderá na tormenta que se abateu sobre o mundo. A ascensão do nazismo na Alemanha, o triunfo do stalinismo na URSS e o declínio da socialdemocracia na Europa e o vendaval da 2ª Guerra Mundial enterram as manifestações do Dia das Mulheres”.

O coordenador do NPC afirma que “fora dos países comunistas, no Ocidente, a humanidade só voltará a falar do Dia da Mulher, no final dos anos 60. Nesse lapso de tempo, o marco do 8 de Março, data da greve das operárias de Petrogrado, de 1917, foi esquecido. A data da vitória das revolucionárias rebeldes russas, que impôs a derrota do absolutismo do Czar e deslanchou a Revolução Russa, não interessava aos comunistas do mundo todo. Estes, quase todos, viviam anestesiados pelos encantos ou pelo terror stalinista. Retornar a lembrança daquele 8 de Março das operárias revolucionárias de Petrogrado também não interessava à Socialdemocracia, rejuvenescida após a destruição da Segunda Guerra Mundial e em conflito aberto com o comunismo dos países do bloco soviético”.

Em seu artigo, Gianotti afirma que, “neste clima, propício ao esquecimento da verdadeira história do Dia da Mulher, já na década de 1950, nas publicações do Partido Comunista, na França, se começou a falar de uma forte luta das operárias americanas, em 8 de março de 1857. Talvez, a famosíssima greve do 1º de Maio, na Chicago de 1886 e as numerosas greves nas tecelagens americanas estimularam as fantasias e levaram a enfatizar a participação dos Estados Unidos na luta da mulher, o que favoreceu esta confusão de datas” E diz “… foi assim, sem precisar de uma conspiração organizada por um suposto império do mal, que na Alemanha Oriental, em 1966, a Federação das Mulheres Comunistas noticiou a história do Dia da Mulher, enriquecida com o martírio das 129 queimadas vivas”.

E mais: foi “sem nenhuma deliberação conspiratória, que o mito que acabava de ser criado, em 1966, no Leste Europeu, começou a ser divulgado e foi depois enriquecido fartamente, nos EUA do final dos anos 60 e em todo o mundo ocidental. Depois disso, era só enriquecer o mito. O que foi feito, até sua cristalização em 1975, com a ONU e logo depois com a Unesco, em 1977”.

Gianotti termina seu trabalho com afirmações muito fortes, enaltecendo a luta das mulheres e defendendo a derrubada do mito do 08 de março.

Ele afirma:

1. Que o Dia Internacional da Mulher é uma data muito rica que não precisa de mitos;
2. Que derrubar o mito de origem da data 8 de Março não implica desvalorizar o significado histórico que este adquiriu. Muito pelo contrário!

E mais, significa retomar:

• A verdade dos fatos que são suficientemente ricos de significado e que carregam toda a luta da mulher no caminho da sua libertação;
• Enriquecer a comemoração desse dia com a retomada de seu sentido original;
• Voltar às origens do ideal socialista da maioria das mulheres que lutavam por um mundo novo sem exploração e opressão do homem pelo homem e especificamente da mulher pelo homem;
• Integrar todos os novos e importantíssimos aspectos da luta da libertação da mulher, descobertos com a evolução histórica da humanidade no século XX, com a retomada de suas raízes socialistas;
• Integrar à clássica luta libertária, socialista e comunista do começo do século XX, as contribuições de diferentes linhas de pensamento e países, que vão de Wilhem Reich a Simone de Beauvoir, de Herbert Marcuse a Samora Machel, de Betty Friedann a Rose Marie Muraro.
• Integrar toda a luta do feminismo para construir uma sociedade onde a mulher seja reconhecida como gente;
• Integrar estas elaborações teóricas com as lutas e as experiências de vida de milhares de ativistas, militantes e organizadoras da luta das mulheres, no mundo inteiro: das guerrilheiras latino-americanas, às mulheres vietnamitas, das trabalhadoras das fábricas às plantadoras de arroz da Índia, das Mães dos desaparecidos argentinos às lutadoras pela reforma agrária do MST.

Para ele, a luta das mulheres, é “uma longa luta sem medo da felicidade, sem medo do prazer. Sem medo de lutar por uma revolução, que deverá ser social, sexual, e profundamente cultural. Sem medo de levantar as bandeiras vermelhas da luta pela libertação da humanidade. A libertação de homens e mulheres”

Vitória, Março/2010

Lujan Miranda
Da Coordenação Nacional da Intersindical e da Direção Nacional do PSol

Comemoração do Dia Internacional da Mulher completa 100 anos

Escolha do 8 de março está ligada à mobilizações de mulheres na Revolução de Fevereiro de 1917, na Rússia

Dafne Melo,

da Redação – Brasil de Fato

Por muito tempo acreditou-se que a escolha do 8 de março para ser o Dia Internacional das Mulheres foi devido à um incêndio em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos que vitimou cerca de 150 trabalhadoras que organizavam uma greve contra às más condições de trabalho. Até mesmo militantes do movimento feminista aceitavam essa explicação. Desde a década de 1970, entretanto, novas pesquisas nessa área têm apontado que a escolha da data está ligada à história da Revolução Russa. “De fato houve esse incêndio nos EUA, um acontecimento trágico para o movimento sindical e feminista na época, mas o incêndio sequer teria ocorrido nessa data”, explica Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres.

Ela explica que hoje se tem comprovado pelos documentos que a orientação para se realizar as comemorações e manifestações internacionais se deu em 1910, numa resolução da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Rússia, e que não havia uma indicação de data fixa para a comemoração. A reivindicação central seria o direito ao voto para as mulheres. Até a década de 1920 do século passado, as feministas realizaram as lutas em diferentes datas em seus países. Somente em 1922, após a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas é que foi sugerida a data do 8 de março.

Revolução russa

No antigo calendário ortodoxo russo, o 8 de março corresponde ao 23 de fevereiro, data que marca o início da primeira fase da Revolução Russa, na qual o czar Nicolau II renunciou ao poder e a Rússia adotou um regime republicano. “As mulheres tiveram um peso muito grande nas mobilizações de fevereiro. Há registros de uma grande greve coordenada pelas operárias do setor têxtil que teria iniciado essas agitações; elas pediam o fim da participação da Rússia na I Guerra Mundial, a volta dos militares para suas casas, e pão”, explica Tatau. Essas mobilizações estavam, inseridas dentro das comemorações do Dia da Mulher e se davam em um momento em que o país estava mergulhado em uma crise política e era seriamente atingido pela fome.

Alguns dos líderes da revolução fazem referência direta ao fato em seus textos. “O dia das trabalhadoras em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história (…) A Revolução de fevereiro começou nesse dia”, escreveu a dirigente feminista Alexandra Kollontai. Leon Trotski, na obra “História da Revolução Russa”, comenta que ninguém poderia prever que o Dia da Mulher pudesse inaugurar a revolução, desencadeando uma greve de massas.

Resgate

Para Tatau Godinho, resgatar a verdadeira origem do 8 de março é importante por inúmeros motivos. Primeiro, mostra como a luta das mulheres pode e deve caminhar junto com a luta por transformações sociais mais profundas. Segundo, resgata a data como um momento de luta e organização das mulheres socialistas, devolvendo à comemoração seu conteúdo político. Também por esses motivos não é difícil imaginar porque a memória histórica hegemônica aceitou e propagandeou a versão do incêndio da fábrica têxtil nos EUA, e escondeu sua origem socialista. “Há um esforço de institucionalização e comercialização da data que coincide com um certo refluxo do movimento de mulheres socialistas, o que começa a se reverter na década de 1970, quando se começa a surgir o interesse na verdadeira origem da escolha da data”, finaliza Tatau.

No dia de luta das mulheres, rosa, só se for a Luxemburgo

Marcha de Campinas a São Paulo reunirá cerca de 2 mil mulheres por dez dias; ação faz parte de mobilização internacional.

Dafne Melo

da Redação – Brasil de Fato


Marcha_das_Mulheres_Leandro-Silva A partir do dia 8 de março, centenas de mulheres começam a marchar de Campinas (99 km de SP) a capital paulista, em uma mobilização que pretende durar dez dias. Para muitas, porém, a caminhada já começou. “Já estamos em marcha, organizando as caravanas dos Estados e toda a infra-estrutura”, explica Sônia Coelho, da Sempreviva Organização Feminista (SOF). A mobilização faz parte da 3º Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, organização que aglutina movimentos feministas nos cinco continentes. No Brasil, diversos movimentos sociais e organizações se juntam à ação, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), a Articulação do Semi-Árido (ASA) e Consulta Popular, dentro outros. O evento tem caráter nacional e conta com a participação de mulheres de todos os Estados brasileiros.

Sônia explica que além de pautar as reivindicações das mulheres, a marcha pretende ser um momento de formação para as militantes. A caminhada acontecerá sempre pelas manhãs e pela tarde serão organizados debates e painéis com temas relativos às lutas mais urgentes do movimento feminista.

Pautas

Dar visibilidade social às pautas feministas e articular movimentos de mulheres de diferentes naturezas em torno de uma plataforma de luta comum são dois dos principais objetivos da marcha, além da criação de espaços de formação politica. A plataforma de luta está centrada em quatro grandes temas: autonomia econômica das mulheres, luta contra violência sexista, luta contra privatização da natureza e dos serviços públicos e paz e desmilitarização. De acordo com Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), os debates e articulações em torno dos temas serão ricos justamente por colocar em um mesmo espaço a perspectiva que mulheres de diferentes setores – estudantil, rural, sindical, do movimento negro, etc – têm sobre esses temas.

De acordo com Sônia Coelho, as discussões feitas ao longo dos 10 dias devem ser sistematizadas em um texto que deverá ser entregues para os governos federal, estaduais e municipais. “Queremos detalhar essas reivindicações no processo da marcha”, aponta Sônia.

A organização espera que pelo menos 2 mil mulheres marchem durante os 10 dias. Toda a estrutura, desde a montagem e desmontagem de barracas, cozinha, organização dos debates será elaborada somente por mulheres.

Auto-organização

Tatau Godinho, militante da MMM, explica que o espaço de formação não se dá apenas nos debates, mas também no próprio processo de auto-organização das mulheres na construção da marcha. “A existência de um movimento de mulheres forte depende de nossa capacidade de auto-organização, por isso a importância de realizar uma marcha dessa magnitude. Temos dito às companheiras que ainda não sabem se poderão marchar o quanto essa experiência é insubstituível”. Sônia Coelho, da SOF, agrega que o momento também é propício para gerar solidariedade entre as companheiras de diferentes movimentos.

A presença masculina não é proibida durante a marcha, mas a infra-estrutura – alimentação, banheiros, barracas, transporte de bagagem, etc – será oferecida somente às mulheres. “A presença dos companheiros é muito bem vinda nos atos de lançamento e de chegada que vamos organizar”, diz Sônia. “Mas precisamos nos fortalecer entre nós mesmas para enfrentar as desigualdades de gênero que existem na sociedade e que se reproduzem dentro das organizações de diversas formas”, finaliza.

África

A 3º Ação Internacional da MMM acontecerá durante todo o ano, mas se concentrará em dois meses: março e outubro. Nesse primeiro mês serão feitas mobilizações nacionais simultâneas. Em outubro, uma ação internacional reunirá militantes de diversos países na República Democrática do Congo, na região da província de Sud-Kivu, que se centrará na questão da paz e desmilitarização, denunciando a situação a que estão submetidas as mulheres nessa região, onde a violência contra as elas têm sido usada como arma de guerra. “Calcula-se que 70% das mulheres e adolescentes dessa região já tenham sofrido violência sexual”, protesta Sônia Coelho.

Em agosto, na Colômbia, um encontro contra a guerra e pela paz pretende reunir lutadoras de todo continente para discutir a militarização. Na Europa, o encontro ocorrerá em junho, na Turquia, e na Ásia o local escolhido foi Filipinas, onde os debates ficarão em torno da luta contra o livre comércio, instalação de bases militares e tráfico de mulheres.

Revoluções em fotografia

Livro de Michel Löwi traz a sensação de que a própria história se desenvolve diante de nossos olhos

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Você já imaginou como eram, fisicamente, os participantes da Comuna de Paris (1871)? Ou como era a capital francesa naquela época, como as pessoas se vestiam, qual a aparência dos prédios, monumentos e vias públicas que serviram de cenário aos grandes momentos do “assalto aos céus”? Tudo isso ficou registrado como fotografia, e agora está à disposição dos leitores brasileiros, no livro Revoluções, organizado por Michel Löwi e editado pela Boitempo (São Paulo). Lançada em Paris, no ano 2000, a primeira edição foi rapidamente esgotada, relata Luiz Bernardo Pericás, e não sem motivo: trata-se de uma fantástica pesquisa histórica e iconográfica, que abarca até a revolução cubana (1953–1967). Felizmente para o leitor brasileiro, o tratamento editorial dado pela Boitempo é primoroso.

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Basta percorrer o índice da obra para termos uma ideia de sua importância e extensão: além da Comuna de Paris, somos brindados com fotos de cenas e pessoas que participaram das seguintes revoluções: Russa (1905), Russa (1917), Húngara (1919), Alemã (1918–19), Mexicana (1910–20), Chinesa (1911–49), Espanhola (1936) e a já mencionada cubana. O leitor mais atento notará que não estão na relação alguns movimentos extremamente importantes, como a revolução húngara (1956) e as lutas de libertação nacional (por exemplo, na Indochina e na Argélia). O critério para a seleção é explicado numa página de “advertência”, logo no início do livro:

“Por uma questão de coerência, escolhemos as revoluções ‘clássicas’, revoluções sociais de inspiração igualitária que visavam distribuir as terras e riquezas, abolir as classes e entregar o poder aos trabalhadores. [...] Portanto, fomos obrigados a deixar de lado outros movimentos revolucionários não menos importantes: as revoluções democráticas, antiburocráticas e antitotalitárias. [...] O último capítulo passa em revista uma série de eventos revolucionários – distintos, em certa medida, das revoluções no sentido pleno do termo – dos últimos trinta anos: Maio de 1968, a Revolução dos Cravos em Portugal (1974–1975), a Revolução Nicarguense (1978–1979), a queda do Muro de Berlim (1989) e a sublevação zapatista de Chiapas (1994–1995).

Cada revolução coberta pelo livro é comentada por um especialista, que trata de contextualizar os acontecimentos e permitir uma leitura crítica das fotos. Temos, então, a sensação de que a própria história se desenvolve diante de nossos olhos. Mas o valor documental da fotografia é discutido por Löwi, no capítulo introdutório, fazendo eco a um complicado debate entre historiadores. Até que ponto a fotografia pode e deve ser aceita como um “registro da história”?

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“É claro que as fotografias não podem substituir a historiografia, mas elas captam o que nenhum texto escrito pode transmitir: certos rostos, certos gestos, certas  situações, certos movimentos. A fotografia possibilita que se veja, de modo concreto, o que constitui o espírito único e singular de cada revolução. Alguns críticos negam o valor cognitivo das fotografias de acontecimentos. Por exemplo, o grande teórico do cinema Siegfried Kracauer tinha convicção de que a foto não permite conhecer o passado, mas somente a ‘configuração espacial de um instante’. (…) Esse ponto de vista me parece discutível. É verdade que a fotografia não pode substituir a narrativa histórica, mas isso não a impede de ser um instrumento insubstituível de conhecimento histórico, que torna visíveis aspectos da realidade que frequentemente escapam aos historiadores.”

Para além do debate teórico sobre o valor documental da fotografia, o livro oferece, no mínimo, o prazer proporcionado pelo acesso a cenas que, até então, faziam parte unicamente do universo imaginário e algo mitológico das revoluções. Se fosse apenas por isso, sua leitura já valeria muito a pena.

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José Arbex Jr. é jornalista, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP) e doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP).

Postado: Brasil de Fato

Movimento feminista celebra 100 anos do Dia Internacional da Mulher

8 de março

Manifestação acontece no dia 8 de março, às 10h30, na Praça do Patriarca, rebatizada há dois anos pelas mulheres de Praça da Matriarca.

Depois do ato, haverá uma caminhada das feministas pelo centro da capital paulista.

8_DE_M~1 Há exatos 100 anos, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, durante a 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, a criação de um Dia Internacional da Mulher. Havia alguns anos, diferentes datas eram marcadas por jornadas de luta feminista, organizadas sobretudo em torno da defesa do voto feminino e da denúncia contra a exploração e opressão das mulheres. A partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional. Um século se passou e hoje, em todo o mundo, o dia 8 de março é uma data de celebração e afirmação da luta das mulheres por igualdade, autonomia e liberdade. Em São Paulo, o dia será marcado por uma manifestação no centro da capital, que reunirá feministas de diferentes regiões do estado pra dizer "ainda há por que lutar!".

Com o ato, convocado por dezenas de organizações e movimentos populares, as mulheres querem celebrar as conquistas alcançadas em cem anos de mobilização coletiva, mas também mostrar que a luta por autonomia, igualdade e direitos segue atual e necessária. Bandeiras históricas como a divisão do trabalho doméstico, salário igual para trabalho igual, o combate à violência doméstica, a reivindicação de creches para todas as crianças e a defesa da legalização do aborto continuam na ordem do dia do movimento feminista.

Neste ano, estão entre as reivindicações das mulheres: a defesa da integralidade do Programa Nacional de Direitos Humanos, incluindo a resolução sobre o aborto, que foi alterada pelo governo federal; da Lei Maria da Penha, que vem sofrendo inúmeros obstáculos para sua implementação e legitimação; do Pacto Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, que embora assinado pelo governo de São Paulo até hoje não teve recursos liberados; e do Estatuto da Igualdade Racial. As feministas também denunciarão os efeitos da crise econômica na vida das mulheres, que foram as maiores vítimas do desemprego; a criminalização dos movimentos sociais e o acordo assinado entre o Brasil e o Vaticano, que viola a laicidade do Estado brasileiro. Haverá ainda manifestações de solidariedade e envio de doações às mulheres do Haiti.

Sobre o 8 de Março

Do final do século XIX até 1908, uma série de greves e repressões de trabalhadoras marcaram a construção do movimento feminista nos Estados Unidos. O primeiro "Woman’s day" foi comemorado em Chicago em 1908, e contou com a participação de 1500 mulheres. O dia foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres e defendendo a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, incluindo o direito ao voto. De novembro de 1909 a fevereiro de 1910, uma longa greve dos operários têxteis de Nova Iorque, liderada pelas mulheres, terminou pouco antes do "Woman’s Day", realizado no Carnegie Hall, quando três mil mulheres se reuniram em favor do sufrágio, conquistado em 1920 em todo os EUA.

Neste ano, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, na 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher, que seguiu sendo celebrado em datas diferentes, de acordo com o calendário de lutas de cada país. Em 1914, ele foi comemorado pela primeira vez em 8 de março, na Alemanha. Mas é a ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início das ações da Revolução Russa, a razão mais provável para a fixação desta data como o Dia Internacional da Mulher. Documentos de 1921 da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas revelam a proposta de uma feminista búlgara do 8 de março como data oficial. A partir de 1922, a celebração internacional é oficializada neste dia.

Essa história se perdeu nos grandes registros históricos, mas faz parte do passado político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século. Numa era de grandes transformações sociais, o Dia Internacional da Mulher transformou-se no símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem a sua condição e a sociedade como um todo.

Serviço:

Ato em celebração ao Dia Internacional da Mulher

"100 anos de 8 de março: mulheres em luta por autonomia, igualdade e direitos"

Ainda há por que lutar!

Dia; 8 de março de 2010

Local: Praça do Patriarca – Centro – São Paulo

Horário: 10h30